2025/12 — Argentina Flexibiliza Banda Cambial Em Janeiro: Governo Milei Busca Recompor Reservas E Restaurar Confiança

2025/12 — Argentina Flexibiliza Banda Cambial em Janeiro: Governo Milei Busca Recompor Reservas e Restaurar Confiança

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Ajuste Mensal à Inflação

O Banco Central da Argentina anunciou uma mudança significativa em sua política cambial, que entrará em vigor a partir de 1º de janeiro. A partir dessa data, os limites superior e inferior da banda cambial do peso serão ampliados mensalmente, acompanhando a taxa de inflação do mês anterior. Essa medida substitui o ajuste fixo de 1% ao mês que vigorava até então, independentemente da variação de preços.

Contexto e Objetivos da Mudança

A alteração ocorre em um cenário de escassez crônica de dólares e faz parte da estratégia do presidente Javier Milei para restaurar a confiança no mercado financeiro e recompor as reservas internacionais do país. Em novembro, a inflação mensal argentina atingiu 2,5%, superando o ritmo de desvalorização permitido pela banda cambial vigente. Isso resultava em uma valorização real do peso, prejudicando a acumulação de reservas necessárias para o pagamento da dívida externa e a importação de bens essenciais.

Programa de Compra de Reservas e Impacto no Mercado

Além da flexibilização da banda cambial, a autoridade monetária lançará um programa de compra de reservas. A expectativa do governo é que este plano permita a aquisição de até US$ 10 bilhões até dezembro de 2026. A medida é vista como a alteração mais relevante no regime cambial desde abril, quando o sistema foi implementado em acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Economistas vinham criticando o modelo anterior por atrasar a recomposição de reservas e sustentar artificialmente o peso como ferramenta anti-inflacionária. Estimativas indicam que a Argentina está mais de US$ 10 bilhões abaixo da meta de acúmulo de reservas acordada com o FMI.

Reação do Mercado e Reformas de Milei

A fragilidade das reservas ficou evidente em outubro, quando temores de desabastecimento de dólares geraram uma corrida contra o peso. Após o anúncio da flexibilização, o rendimento do título soberano argentino de 10 anos caiu para 10,32% ao ano, um sinal de reação positiva dos mercados, indicando valorização dos papéis. Desde que assumiu a presidência, Milei tem implementado um amplo programa de reformas liberalizantes, com foco em ajuste fiscal, corte de subsídios, desregulamentação e redução do papel do Estado, visando controlar a inflação, reequilibrar as contas públicas e reinserir o país nos mercados internacionais de crédito. Apesar do fôlego político obtido com a vitória de seu campo nas eleições legislativas, investidores continuam pressionando pela eliminação total dos controles cambiais e pela adoção de um câmbio flutuante, algo que o ministro da Economia, Luis Caputo, tem descartado, citando o risco de desvalorizações abruptas históricas da Argentina.

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