Reunião de emergência para alinhar discurso regional
A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) realiza na tarde deste domingo, 4, uma reunião extraordinária para debater o ataque militar promovido pelos Estados Unidos contra a Venezuela. O encontro, que ocorrerá via videoconferência a partir das 14h (horário de Brasília), tem como objetivo principal traçar um posicionamento unificado da região e formular demandas a serem apresentadas no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU). A reunião da ONU foi convocada em caráter de emergência para discutir a ação americana, que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, sob alegações de envolvimento com narcoterrorismo.
Reações internacionais e divergências internas na CELAC
A intervenção militar dos EUA na Venezuela gerou reações mistas globalmente. Enquanto o presidente americano, Donald Trump, declarou que os EUA devem governar a Venezuela até uma transição pacífica e defendeu a exploração das reservas de petróleo do país, veículos de imprensa como o The New York Times classificaram a ação como “ilegal e imprudente”. A União Europeia, por meio de sua chefe de política externa, Kaja Kallas, reiterou a falta de legitimidade de Maduro e defendeu uma transição pacífica, apelando pelo respeito ao direito internacional. A China condenou veementemente a operação, exigindo a libertação imediata de Maduro e o fim da interferência americana, classificando o ato como uma “clara violação do direito internacional”.
Divisões internas marcam a CELAC
Apesar da convocação para um debate conjunto, a unidade entre os membros da CELAC sobre a intervenção americana já se mostra fragmentada. O presidente da Argentina, Javier Milei, alinhado a Donald Trump, expressou apoio à “liberdade” sem mencionar diretamente o conflito. Em contraste, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, manifestou “profunda preocupação” e defendeu a desescalada, rejeitando ações militares unilaterais e implementando medidas de proteção para a população civil na fronteira. O presidente do Chile, Gabriel Boric, também demonstrou preocupação e condenou as ações militares dos EUA, apelando por uma solução pacífica e reafirmando o compromisso chileno com o direito internacional. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou a ação, alertando para um “precedente perigoso” que pode trazer riscos sistêmicos ao direito internacional, uma avaliação compartilhada por especialistas.
Expectativas para a reunião e o Conselho de Segurança da ONU
A reunião da CELAC deste domingo é vista como crucial para definir o tom e as reivindicações da América Latina e do Caribe diante da crise na Venezuela. A nota final do encontro ainda é incerta, dada a diversidade de opiniões entre os líderes regionais. O posicionamento a ser acordado poderá influenciar as discussões no Conselho de Segurança da ONU, agendado para a próxima segunda-feira, onde o futuro da Venezuela e a legitimidade das ações militares americanas estarão em pauta.

