A captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelas Forças Armadas americanas, ocorrida em sábado, 3, trouxe à tona a figura de sua esposa, Cilia Flores, que também foi detida pelos Estados Unidos. Segundo a emissora americana CNN, o casal foi detido em sua residência dentro do complexo militar do Forte Tiuana, na madrugada do anúncio. Ambos foram levados para Nova York, onde devem enfrentar acusações de conspiração e narcoturáfico.
A Ascensão da ‘Primeira-Combatente’
Cilia Flores, 69 anos, é considerada muito mais do que uma simples primeira-dama. Ela forjou uma carreira política independente, paralela à de Maduro. Em 2013, o próprio Maduro a apelidou de “primeira-combatente”, declarando que ela não seria uma “primeira-dama” por ser um conceito reservado aos ricos e que ela não seria uma figura de “segunda classe”. Sua influência no regime chavista é inegável, levando o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos a impor sanções contra ela em 2018, como parte de uma estratégia para atingir o círculo íntimo de Maduro.
Trajetória Política e Vínculos com o Chavismo
Nascida em Tinaquillo, Cilia Flores mudou-se para Caracas com a família ainda jovem. Formou-se advogada pela Universidade Santa María, especializando-se em direito penal e trabalhista. Sua entrada na política se deu após o fracassado golpe de Estado de Hugo Chávez em 1992, quando integrou a equipe jurídica que defendeu os militares golpistas. Foi nesse período que conheceu Nicolás Maduro. A partir daí, seus destinos se entrelaçaram com o chavismo. Fundou o Círculo Bolivariano de Direitos Humanos em 1993 e ingressou no Movimento Bolivariano MBR-200, de Chávez. Com a eleição de Chávez em 1998, Cilia também ascendeu ao poder, sendo eleita deputada em 2000 e, posteriormente, tornando-se a primeira mulher a presidir a Assembleia Nacional da Venezuela em 2006. Durante seu mandato, enfrentou controvérsias, incluindo a proibição do acesso da imprensa ao plenário e acusações de nepotismo.
Procuradora-Geral e Oficialização como Primeira-Dama
No início de 2012, Hugo Chávez nomeou Cilia Flores como Procuradora-Geral da República, cargo que ocupou até março de 2013, ano da morte do presidente. Em julho do mesmo ano, após a eleição de Maduro, eles se casaram, oficializando um relacionamento antigo e tornando Cilia a primeira-dama. Juntos, criaram os filhos de matrimônios anteriores.
Presença na Assembleia Constituinte e Mídia
Nas eleições legislativas de 2015, Cilia foi reeleita para a Assembleia Nacional. Dois anos depois, deixou o cargo para ingressar na Assembleia Nacional Constituinte, criada por Maduro para concentrar poder. Paralelamente, estreou programas de televisão e rádio em emissoras estatais, como “Con Cilia, en familia” e “Decisiones”.
Acusações e Sanções Familiares
Nos últimos anos, a família Flores tem sido alvo de escrutínio. Em 2015, seus sobrinhos, Efraín Antonio Campo Flores e Franqui Francisco Flores de Freitas, foram indiciados por tráfico de drogas nos Estados Unidos. Foram condenados a 18 anos de prisão em 2017, acusados de usar o hangar presidencial para enviar cocaína para os EUA. Ambos foram libertados em outubro de 2022, como parte de um acordo com o governo de Joe Biden. No entanto, em dezembro de 2023, o governo de Donald Trump impôs novas sanções aos sobrinhos libertados, bem como a Carlos Erik Malpica Flores, outro sobrinho que ocupou cargos importantes no governo Maduro.

