2025/12 — Congresso Dividido No Chile: Quem For O Próximo Presidente Enfrentará O Desafio Da Negociação

2025/12 — Congresso Dividido no Chile: Quem For o Próximo Presidente Enfrentará o Desafio da Negociação

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Um Congresso Fragmentado Define o Futuro do Chile

O Chile se prepara para definir seu próximo presidente neste domingo (14), em um cenário onde tanto a candidata de esquerda Jeannette Jara quanto o ultradireitista José Antonio Kast enfrentarão um desafio comum: governar com um Congresso dividido. Os resultados das eleições de novembro, que definiram a composição da Câmara e do Senado, indicam que nenhuma força política deterá maioria absoluta, forçando a necessidade de negociações parlamentares para a aprovação de projetos.

Direita Busca Ampliar Blocos, Mas Negociação é Inevitável

Para José Antonio Kast, da ultradireita, o cenário parlamentar pode apresentar um caminho ligeiramente mais favorável. O apoio recebido de Evelyn Matthei (direita tradicional) e Johannes Kaiser (ultradireita) aproxima seu bloco da maioria em ambas as casas. No Senado, a direita tradicional e a ultradireita somam 25 das 50 cadeiras, enquanto na Câmara dos Deputados, a união dessas forças alcança 76 assentos, necessitando de apenas mais dois para a maioria absoluta.

Como Ficou a Composição do Congresso?

No Senado, após a renovação de 23 cadeiras, a aliança de esquerda de Jeannette Jara obteve 11 assentos, a direita tradicional 5, e a ultradireita alinhada a Kast, 6. Com a configuração atual, o Senado terá 20 cadeiras para a esquerda, 18 para a direita tradicional, 7 para a ultradireita, 3 para os Verdes, Regionalistas e Humanistas, e 2 independentes. Já a Câmara dos Deputados, com suas 155 cadeiras renovadas, viu a esquerda conquistar 61 vagas, a ultradireita 42, e a direita tradicional 34. O Partido Popular, de Franco Parisi, obteve 14 cadeiras, tornando-se um ator crucial.

A Importância da Negociação para a Governabilidade

Especialistas apontam que a governabilidade no Chile dependerá intrinsecamente da capacidade de negociação do próximo presidente. Mónica Ríos Tobar, diretora para a América Latina e Caribe da International IDEA, ressalta que a aprovação de reformas constitucionais, por exemplo, exige uma margem qualificada de quatro sétimos em cada câmara, uma meta inatingível para qualquer bloco isoladamente. Nesse contexto, os 14 assentos do Partido Popular na Câmara se mostram fundamentais. Cristóbal Huneeus Lagos, analista e economista, corrobora essa visão, afirmando que, mesmo com uma vitória expressiva no segundo turno, o presidente eleito precisará buscar o apoio da centro-direita para garantir a governabilidade, em um cenário que pode se assemelhar ao do atual presidente Gabriel Boric, que também enfrenta um Congresso fragmentado.

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