Ofensiva Institucional na CAE
Apesar do apoio público de parlamentares governistas, a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master enfrenta resistências significativas nos bastidores do Congresso. A avaliação predominante entre líderes é que CPIs em ano eleitoral geram alto custo político e riscos imprevisíveis. Em contrapartida, a tendência é concentrar as apurações na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL).
Senadores argumentam que a CAE oferece um espaço mais controlado para investigações, permitindo a produção de respostas concretas com menor desgaste para os parlamentares. O senador Eduardo Braga (MDB-AM) destacou a eficácia da CAE, afirmando que o colegiado “vai botar para quebrar” e “explodir essa caixa-preta”, utilizando todo o poder regimental do Senado para enfrentar o esquema.
Críticas à Regulação e Autoproteção do Parlamento
Renan Calheiros anunciou a criação de um grupo de trabalho na CAE para acompanhar o caso e intensificou as críticas aos órgãos reguladores do mercado financeiro, especialmente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo ele, falhas na fiscalização permitiram a formação de ativos superavaliados e causaram prejuízos a investidores. “O que precisa ser explicado é como foi possível permitir que ativos fossem precificados de forma irreal, criando uma bolha de ilusão para os investidores, sem que o regulador emitisse um único sinal de alerta”, declarou Calheiros.
A CAE planeja visitas institucionais ao Supremo Tribunal Federal (STF), Banco Central, Polícia Federal e Tribunal de Contas da União. Internamente, essa abordagem é vista como uma forma de autoproteção do Parlamento. A complexidade das relações políticas, econômicas e institucionais envolvidas no caso do Banco Master poderia gerar um desgaste difuso para o Congresso caso uma CPI fosse instalada.
Resistência às CPIs e Tensão com o Judiciário
Apesar da estratégia de focar na CAE, a oposição reuniu assinaturas para a criação de uma Comissãão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) e de uma CPI no Senado. No entanto, a instalação dessas comissões depende de decisões políticas dos comandos das Casas, com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tendo a prerrogativa de ler o requerimento da CPMI em sessão do Congresso Nacional. O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025 pelo Banco Central devido a irregularidades financeiras e crise de liquidez.
O caso também envolve o Judiciário, com investigações criminais sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no STF. A condução do caso por Toffoli tem gerado críticas internas na Corte e atritos com a Polícia Federal e o Banco Central, especialmente em relação a prazos para depoimentos e análise de provas. Líderes do Congresso avaliam que avançar com uma CPI em paralelo a esse cenário de tensão institucional poderia agravar conflitos e aumentar o risco de desgaste político para o próprio Parlamento.

