Coreia do Sul investiga possível invasão de drones em espaço aéreo norte-coreano após ameaças de Kim Yo Jong
Investigação busca apurar se drones civis violaram fronteira, enquanto Pyongyang eleva o tom e alerta para retaliação.
Seul nega envolvimento militar e se diz aberta a diálogo
O Ministério da Defesa da Coreia do Sul anunciou nesta segunda-feira, 12, a abertura de uma investigação sobre a possível entrada de drones operados por civis sul-coreanos no espaço aéreo da Coreia do Norte. A medida surge após reclamações de Pyongyang, que divulgou imagens de destroços e acusou Seul de “atos de provocação”. O Exército sul-coreano, no entanto, negou ter operado os veículos e afirmou que não há intenção de alimentar tensões na península.
“Não temos a intenção de provocar ou irritar a Coreia do Norte, e continuaremos a tomar medidas práticas e a empreender esforços para aliviar as tensões e construir confiança entre as duas Coreias”, declarou Kim Hong-chul, diretor do gabinete de Políticas do Ministério da Defesa sul-coreano. Apesar da investigação interna, Seul se mostrou aberta a um inquérito conjunto com o Norte, embora nenhuma proposta oficial tenha sido apresentada.
Kim Yo Jong emite aviso severo a Seul
A vice-diretora de departamento do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, Kim Yo Jong, irmã do líder Kim Jong-un, emitiu um comunicado contundente. Ela classificou como “sábia” a posição oficial de Seul de não provocar Pyongyang, mas alertou que, caso tais incidentes se repitam, a Coreia do Sul “jamais conseguirá lidar com as terríveis consequências”. A declaração eleva o nível de alerta em uma região já marcada por tensões históricas.
Drones civis como ponto de discórdia
Segundo informações preliminares, os drones teriam decolado de Incheon, cidade próxima à fronteira, com o objetivo de filmar “principais pontos de interesse” na Coreia do Norte. O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, considerou que, se confirmado o controle civil sobre os aparelhos, o ato seria visto como um “crime grave contra a segurança e a paz da Península Coreana”. Contudo, Pyongyang sustenta que a responsabilidade pela invasão do espaço aéreo recai sobre a Coreia do Sul, independentemente de serem drones militares ou civis.
Relações tensas e histórico de desconfiança
As relações entre as duas Coreias permanecem sob um frágil armistício desde a década de 1950, sendo frequentemente marcadas por desconfiança e incidentes. Seul expressa constante preocupação com possíveis provocações por parte do vizinho do norte, que detém armas nucleares. Recentemente, o ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol foi alvo de julgamento por supostas tentativas de provocar Pyongyang no ano anterior. Desde que assumiu o cargo, o presidente Lee Jae Myung tem buscado restabelecer canais de diálogo com o governo de Kim Jong-un, mas Pyongyang tem demonstrado pouca receptividade às tentativas de aproximação.

