Chile Chocado com Prisão de Ex-Juíza da Suprema Corte
Ângela Vivanco, que já foi um pilar da justiça chilena, agora enfrenta acusações graves de corrupção e tráfico de influência.
O Chile está em polvorosa com o caso de Ângela Vivanco, ex-juíza da Suprema Corte, que foi presa recentemente em meio a um escândalo de corrupção. A promotora Carmen Gloria Wittver destacou o perigo que Vivanco representa, tanto para a sociedade quanto para o andamento das investigações, em uma declaração que chocou o país. O caso é visto como um teste para a maturidade política chilena, ocorrendo em um momento sensível com a posse do novo presidente, José Antonio Kast.
O Escândalo da “Boneca Bielorrussa”
O apelido do escândalo, “caso da Boneca Bielorrussa”, tem origem em uma das investigações que envolvem uma empresa chilena ligada a uma companhia da Bielorrússia. O cerne da questão reside em um processo movido pela Codelco, a gigante estatal do cobre chileno, contra o consórcio chileno-bielorrusso CBM. Inicialmente, a Codelco venceu uma causa de US$ 20 milhões por descumprimento de contrato. No entanto, o caso chegou à Suprema Corte e, sob a relatoria de Ângela Vivanco, a decisão foi completamente revertida, transformando a Codelco em devedora de US$ 20 milhões, acrescidos de outros US$ 5 milhões em custos adicionais.
A Rede de Influência e Suborno
O que deveria ter sido um prejuízo para a estatal se transformou em uma investigação profunda que revelou uma complexa rede de tráfico de influência, envolvendo políticos, empresários e juízes. Acredita-se que o dinheiro obtido pelo consórcio CBM tenha sido utilizado para pagar honorários advocatícios e, crucialmente, para subornar a ex-ministra da Suprema Corte. O marido de Vivanco, Gonzalo Migueles, detido desde novembro, teria recebido parte desses subornos, totalizando US$ 133 mil.
A Queda da Magistrada e a Reação Institucional
Em outubro de 2024, a própria Suprema Corte votou pela remoção de Ângela Vivanco, após a comprovação de sua intervenção em processos de interesse de um advogado amigo, Luis Hermosilla, que teria sido fundamental em sua nomeação durante o governo de Sebastián Piñera. Conversas gravadas entre os dois expuseram as manobras ilícitas. A prisão de Vivanco no domingo à noite marca o encerramento de um ciclo que a levou do topo do Judiciário para uma cela de prisão, um desfecho raro no país. Além dela e de seu marido, dois advogados envolvidos no caso, Mario Vargas e Eduardo Lagos, também foram presos.
Um Sinal de Maturidade ou um Alerta?
O caso chileno, com sua investigação e responsabilização de altas figuras, tem sido comparado a episódios de corrupção em outros países da América Latina, como o Brasil com a Operação Lava Jato. No entanto, a decisão da própria Suprema Corte de afastar Vivanco e a posterior prisão são vistas como um sinal de força das instituições. É importante notar que outros dois ministros da Suprema Corte, incluindo um ex-presidente do órgão, também foram afastados pelo Senado por condutas irregulares, como Ségio Muñóz e Diego Simpértigue, demonstrando que o problema pode ser mais sistêmico. Apesar da proximidade política de Vivanco com a direita, o novo presidente Kast não interveio para aliviar o caso. Enquanto o Chile se posiciona bem no ranking de percepção de corrupção da Transparência Internacional (32º em 2024), o Brasil amarga seu pior desempenho (107º), reforçando a necessidade de vigilância e fortalecimento do Estado de Direito em toda a região.

