Exportações despencam com renegociação de tarifas
As exportações de relógios suíços para os Estados Unidos sofreram uma retração acentuada em novembro, registrando uma queda de 52,3%. Este declínio, que segue quedas anteriores em setembro e outubro, é atribuído à estratégia dos fabricantes de adiar os embarques. O motivo principal é a expectativa pela entrada em vigor de uma redução nas tarifas de importação, que passaram de 39% para 15% após negociações entre os governos suíço e americano.
Acordo comercial e o impacto nas vendas
Yves Bugmann, presidente da Federação Suíça de Relojoaria, ressaltou que os números devem ser analisados com cautela. Segundo ele, as empresas estavam cientes da iminente redução tarifária e, por isso, optaram por suspender as exportações para os EUA, aguardando a nova alíquota de 15%. O acordo, que visa diminuir o imposto de importação, foi resultado de negociações que envolveram o ministro da Economia suíço, Guy Parmelin, e autoridades americanas. A redução foi anunciada na semana passada e tem validade retroativa a 14 de novembro.
Mercados alternativos e projeções futuras
Enquanto o mercado americano apresentou instabilidade, as exportações para outros destinos registraram um crescimento modesto de 2,2% em novembro, demonstrando a resiliência de outros mercados importantes. No entanto, a China e o Japão viram suas importações de relógios suíços caírem 3,2% e 4,1%, respectivamente. Em contrapartida, Hong Kong e o Reino Unido apresentaram aumentos de 3,1% e 7,9%, respectivamente. O setor relojoeiro projeta um cenário misto para 2026, com comparações mais favoráveis na Ásia, mas mantendo a imprevisibilidade nos Estados Unidos.
Turbulência em 2025 e o impacto nos negócios
O ano de 2025 foi marcado por incertezas para os fabricantes de relógios suíços, principalmente devido à questão das tarifas americanas. Os Estados Unidos representam o maior mercado para esses produtos, e o crescimento observado no país foi fundamental para compensar a queda na demanda vinda da China. A imposição inicial das tarifas, anunciada em abril, levou as empresas a estocar produtos nos EUA antes que os impostos entrassem em vigor, culminando na interrupção abrupta das entregas em agosto, quando a tarifa atingiu 39%.

