A Desinformação Como Principal Barreira no Combate à Hanseníase
A hanseníase, uma doença infecciosa causada pela bactéria *Mycobacterium leprae*, continua sendo um desafio de saúde pública no Brasil, que figura em segundo lugar no ranking mundial de novos casos. A falta de compreensão sobre a doença, aliada a estigmas históricos, impede o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz, mesmo com a condição sendo totalmente curável. A médica dermatologista Cláudia Cisneros desmistifica crenças populares que perpetuam o preconceito e a dificuldade de acesso à informação correta.
Sinais de Alerta e Transmissão: O Que Você Precisa Saber
A transmissão da hanseníase ocorre por meio de secreções nasais e gotículas expelidas pela fala, tosse ou espirro de pessoas infectadas e sem tratamento. O contágio exige contato próximo e prolongado, desmistificando a ideia de que a doença é facilmente transmissível por convívio casual. Identificar os primeiros sinais é crucial para interromper a cadeia de contágio e evitar complicações. Entre os principais indicadores estão:
- Manchas na pele sem coceira ou dor, com perda de sensibilidade ao toque, calor, frio e dor.
- Formigamento ou dormência persistente em mãos, pés ou outras partes do corpo.
- Diminuição da força muscular, especialmente nas mãos e pés, afetando atividades diárias.
- Feridas de difícil cicatrização, muitas vezes associadas à falta de sensibilidade.
O diagnóstico rápido e o início imediato da medicação são fundamentais para evitar sequelas, deformidades e danos neurológicos, além de impedir a progressão da doença.
Desvendando Mitos: O Que é Verdade e O Que é Mito Sobre a Hanseníase
A desinformação alimenta o preconceito. A Dra. Cláudia Cisneros esclarece alguns dos mitos mais comuns:
- Mito: A hanseníase é altamente contagiosa e pega fácil. Verdade: A transmissão exige contato próximo e prolongado com secreções de pessoas sem tratamento.
- Mito: A doença não tem cura. Verdade: A hanseníase tem cura e o tratamento é feito com antibióticos.
- Mito: Pessoas com hanseníase devem ser isoladas. Verdade: Após o início do tratamento, a pessoa deixa de transmitir a doença e pode manter sua rotina normalmente.
- Mito: É possível pegar hanseníase por abraço, aperto de mão ou beijo. Verdade: Contatos físicos casuais não transmitem a doença.
- Mito: A hanseníase está relacionada à falta de higiene. Verdade: Trata-se de uma infecção bacteriana, não associada à sujeira ou falta de cuidados pessoais.
Prevenção e Combate ao Preconceito: A Informação Como Ferramenta Essencial
A prevenção da hanseníase se baseia na identificação precoce, no tratamento rápido e no acompanhamento dos contatos próximos de pacientes diagnosticados. A busca imediata por atendimento médico ao notar os primeiros sinais e a vigilância dos familiares e pessoas que convivem com o doente são medidas essenciais para interromper a cadeia de contágio. Hábitos saudáveis, como boa alimentação e cuidados com a higiene, fortalecem o sistema imunológico e auxiliam na prevenção geral. A campanha Janeiro Roxo, realizada anualmente, visa conscientizar a população e combater o estigma associado à doença, incentivando a busca por diagnóstico e tratamento sem medo ou vergonha.

