Com as temperaturas cada vez mais elevadas, o Rio de Janeiro demonstra neste verão que é possível encontrar alívio do calor extremo em áreas onde a sombra, a água e a vegetação predominam. Longe do agito das praias, parques urbanos, florestas e cachoeiras se transformam em verdadeiras “ilhas de frescor”, auxiliando os cariocas e turistas a enfrentar o calor intenso e oferecendo opções de lazer acessíveis em diversas regiões da capital.
Parque Nacional da Tijuca: Um Pulmão Verde Regulador de Temperatura
Localizado na maior floresta urbana do Brasil, o Parque Nacional da Tijuca é um dos principais reguladores naturais da temperatura na cidade. Estudos indicam que bairros próximos à floresta podem registrar até 10 graus a menos do que áreas densamente urbanizadas. Em 2024, o parque recebeu mais de 4,6 milhões de visitantes. O setor Floresta da Tijuca é o mais procurado no verão, com sua mata fechada, sombra constante e águas geladas, funcionando como um refúgio climático.
Cachoeiras e Poços: Refúgios Naturais de Fácil Acesso
Dentro do Parque Nacional da Tijuca, a Cachoeira das Almas, no Alto da Boa Vista, oferece acesso fácil e uma trilha agradável margeando o Riacho das Almas. Além do frescor da água e da Mata Atlântica, o local possui relevância histórica. A Cascata da Baronesa, também no Alto da Boa Vista, é uma opção mais reservada, ideal para um banho rápido e refrescante. Já o Poço Job de Alcântara, próximo à Praça Afonso Viseu, é um dos pontos mais acessíveis, permitindo banho apenas no poço e sendo procurado por famílias que buscam contato com a natureza sem longas caminhadas.
Novos Parques e Espaços Verdes Ampliam as Opções de Resfriamento
A Zona Norte ganha destaque com o Parque Madureira, um espaço de 4,5 quilômetros que combina áreas arborizadas, fontes, riachos e equipamentos de lazer, além de ser um polo cultural. O Parque Piedade Arlindo Cruz, inaugurado recentemente, oferece 23 mil m² com diversas atrações, incluindo um parque aquático e áreas arborizadas, sendo apontado como um ponto de resfriamento da cidade. Na Zona Oeste, o Parque Oeste, em Inhoaíba, atrai cerca de 30 mil visitantes semanais, com a Escada das Águas como principal atrativo. O Parque Realengo, inspirado no Gardens by the Bay de Singapura, conta com torres que pulverizam vapor d’água para amenizar o calor. Já o Parque Rita Lee, na Barra Olímpica, oferece uma praça molhada, skate park e um bosque com cerca de 200 árvores. Por fim, o Parque Pavuna, na Zona Norte, atende uma região com carência histórica de áreas verdes e possui uma torre d’água iluminada que contribui para o resfriamento do ambiente.
Estratégias Municipais de Enfrentamento ao Calor
A cidade do Rio de Janeiro conta com um Protocolo de Enfrentamento ao Calor Extremo, coordenado pelo Centro de Operações e Resiliência (Cor-Rio). Este protocolo monitora os níveis de estresse térmico e aciona medidas de proteção, incluindo a indicação de pontos de resfriamento. Regiões afastadas do litoral tendem a registrar temperaturas mais altas, influenciadas pelo relevo, cobertura vegetal e quantidade de asfalto. Em cenários de calor intenso, o Cor-Rio orienta a população a buscar refúgios climáticos como parques e áreas verdes. A secretária municipal de Meio Ambiente e Clima ressalta que os equipamentos urbanos são fundamentais para a adaptação da cidade às mudanças climáticas e para garantir o conforto térmico da população.

