Um Novo Capítulo para a Dior
A Semana de Moda de Paris foi palco de um dos momentos mais aguardados: a estreia de Jonathan Anderson como diretor criativo da alta-costura da Dior. Assumindo o comando da renomada maison francesa no ano passado, o designer britânico busca infundir novas energias na marca, aliando inovação criativa e apelo comercial.
Diálogo com a Arte de Magdalene Odundo
A inspiração para a primeira coleção de alta-costura de Anderson para a Dior veio de sua amiga de longa data, a artista visual queniana Magdalene Odundo. As formas esculturais e a profundidade das cerâmicas de Odundo foram transpostas para a passarela em silhuetas volumosas e ricamente detalhadas. Arranjos florais, aplicados como acessórios, trouxeram um toque de efemeridade natural à apresentação, celebrando a beleza transitória da natureza.
O Equilíbrio entre Herança e Experimentação
O desfile culminou com a aparição de uma noiva vestida em um modelo deslumbrante, bordado com centenas de pétalas. Essa imagem final simbolizou o delicado equilíbrio que Anderson buscou alcançar: a reverência pela herança da Dior entrelaçada com a ousadia da experimentação contemporânea. A coleção é um testemunho da visão do designer em revitalizar o legado da marca.
Expansão do Universo da Alta-Costura
Uma das novidades marcantes da estreia de Anderson foi a ampliação do conceito de alta-costura para além das vestimentas. Joias, bolsas e sapatos foram apresentados com o mesmo rigor artesanal e excelência que caracterizam as criações da maison. Destaque para joias feitas a partir de meteoritos e fósseis, e bolsas confeccionadas com tecidos históricos do século XVIII, ressignificados com maestria. Anderson ressaltou a importância de manter vivo o ofício da alta-costura, declarando: “A alta-costura da Dior precisa existir porque eles praticam um savoir-faire que, se não for exercitado, acabaria por desaparecer”.

