Protestos se Espalham e Pedem Fim da República Islâmica
O Irã completa 13 dias de intensos protestos que tomaram as ruas de Teerã e diversas outras cidades, com manifestantes clamando pelo fim da República Islâmica e, em alguns locais, pela restauração da monarquia. Gritos de “Morte ao ditador” ecoaram em Zahedan, na província de Sistão-Baluquistão, em referência direta ao líder supremo, Ali Khamenei.
Khamenei Acusa Manifestantes e Desafia Trump
Em pronunciamento televisionado, Khamenei minimizou os protestos, classificando os participantes como “vândalos” que agem para “agradar” o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Um bando de vândalos saiu às ruas de Teerã e de outros lugares e destruiu prédios pertencentes ao seu próprio país apenas para agradar o presidente dos EUA”, declarou Khamenei, em tom desafiador. Ele também rebateu as ameaças de Trump de um ataque “muito forte” caso o regime reprima os manifestantes, afirmando que as mãos do presidente americano “estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos martirizados”.
Ameaças de Punição Severa e Corte de Internet
Enquanto o presidente iraniano Masoud Pezeshkian buscou uma “abordagem humanitária”, o procurador-geral de Teerã anunciou que envolvidos em sabotagens e incêndios poderão enfrentar a pena de morte. Paralelamente, o regime impôs um corte de internet em escala nacional, alegando razões de segurança e supostos ataques cibernéticos, uma tática já utilizada em momentos de tensão.
Onda de Protestos e Contagem de Vítimas
As manifestações, que eclodiram em 28 de dezembro contra o aumento de preços e o colapso da moeda nacional, tornaram-se as maiores desde 2022. Segundo a agência HRANA, protestos ocorreram em mais de 100 cidades. Relatos divergem sobre o número de mortos, com a BBC Persian confirmando ao menos 22, a HRANA contabilizando 34 manifestantes e quatro membros das forças de segurança, e a ONG Iran Human Rights indicando pelo menos 45 manifestantes mortos, incluindo crianças. Cerca de 2.200 pessoas foram presas.
Apelo pela Monarquia e Silêncio Israelense
Em meio à instabilidade, manifestantes têm entoado “Pahlavi voltará”, em referência a Reza Pahlavi, filho do último Xá do Irã. Pahlavi convocou atos e elogiou a coragem dos manifestantes. Israel acompanha a situação de perto, mas tem evitado declarações públicas para não fortalecer a narrativa do regime iraniano de interferência externa, embora o primeiro-ministro Netanyahu tenha expressado identificação com a “luta do povo iraniano por liberdade, igualdade e justiça”. Companhias aéreas, como a flydubai, já suspenderam voos para o Irã.

