Operação Oricalco e Alerta a TH Jóias
A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Oricalco, autorizada pelo desembargador Macário Júdice, com o objetivo de prender investigados, incluindo o então deputado estadual TH Jóias. A operação visava desarticular os braços políticos do Comando Vermelho, com TH sendo apontado como operador financeiro e articulador da facção. No dia da autorização judicial, o delegado Samuel Fayad informou a um assessor do desembargador sobre o plano de ação, que seria realizado no dia seguinte. Fayad solicitou a assinatura dos mandados de busca e apreensão e de prisão, recebendo a confirmação de que seriam expedidos no mesmo dia.
Depoimento de Rodrigo Bacellar e Movimentações Suspeitas
Em depoimento, o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, admitiu ter sido procurado por TH Jóias entre 11h e 12h do mesmo dia. Segundo Bacellar, TH teria perguntado se ele sabia de alguma operação contra sua pessoa. O presidente da Alerj afirmou não saber de nada, apenas de uma “fofoca” sobre uma operação contra um deputado. TH teria respondido que não saberia se fugiria. Bacellar negou ter orientado sobre fuga, dizendo apenas: “aí é com você. Se eu tô no seu lugar só me preocuparia com sua filha pequena.” Por volta das 15h45, câmeras de segurança do condomínio de TH Jóias registraram a esposa do deputado retirando pertences para um carro, repetindo a ação em outras ocasiões até às 18h. TH chegou em casa às 19h e, às 20h, recebeu o que a PF acredita ser um novo celular.
Reunião e Comunicação com TH
Segundo a decisão judicial, por volta das 21h, Bacellar estaria reunido com o desembargador em uma churrascaria na Zona Sul do Rio. Nesse momento, o então presidente da Alerj teria comunicado a TH a ocorrência da operação. Meia hora depois, TH enviou um vídeo a Bacellar mostrando a geladeira cheia e perguntando se deveria levar a comida, ao que Bacellar respondeu: “deixa isso, doido”. As câmeras registraram TH deixando o condomínio às 21h40, minutos antes da chegada de um caminhão baú que foi carregado com pertences da residência.
Prisão e Troca de Mensagens Pós-Operação
A PF deflagrou a operação nas primeiras horas da manhã. TH Jóias foi preso na casa de um amigo. Antes da prisão, ele enviou uma foto das câmeras de segurança de sua casa a Bacellar, mostrando policiais federais no interior do imóvel, com a mensagem: “bom dia, 01. Minha advogada tá lá em casa”. Na mesma manhã, Bacellar teria buscado assessores na Alerj para verificar se os agentes já haviam deixado o prédio da Assembleia, preocupado em não ser surpreendido pela imprensa.
Defesas e Contestações
A defesa do desembargador Macário Júdice declarou que os fatos são inverídicos e que ele agiu corretamente, afirmando que o jantar com Bacellar nunca ocorreu e que câmeras de segurança comprovarão isso. A defesa de Rodrigo Bacellar reiterou que o parlamentar se colocou à disposição para esclarecimentos e que não agiu para inibir ou embaraçar qualquer investigação, o que, segundo a defesa, será demonstrado.

