Jogador do Paris Saint-Germain e da seleção francesa, Lucas Hernández, e sua esposa, Victoria Triay, enfrentam uma investigação judicial na França por suspeitas de tráfico de pessoas e emprego ilegal. As acusações vieram à tona nesta quarta-feira (21) e estão sob apuração do Ministério Público de Versalhes, conforme noticiado pela agência Reuters.
Denúncia de família colombiana
A investigação foi iniciada após uma denúncia apresentada por uma família colombiana composta por cinco pessoas. Segundo a família, eles teriam trabalhado de forma irregular para o casal entre setembro de 2024 e novembro de 2025. A advogada dos denunciantes, Lola Dubois, relatou que os indivíduos exerciam funções como babás, seguranças e empregados domésticos, sem possuir contrato formal, autorização de trabalho ou direito a dias de descanso. As tarefas incluíam o cuidado com crianças, limpeza e preparação de refeições, em uma situação que a advogada classificou como “escravidão moderna”. Relatos da imprensa francesa indicam que os pagamentos variavam entre 500 e 3.000 euros por semanas de trabalho que chegavam a 72 ou até 84 horas.
Acordos de confidencialidade e intimidações
A revista Paris Match também divulgou que, em fevereiro de 2025, os trabalhadores teriam sido pressionados a assinar acordos de confidencialidade, mesmo sem contratos de trabalho. A família colombiana alega ter sofrido pressões e intimidações verbais durante o período em que esteve a serviço do casal. Desde novembro de 2025, nenhum membro da família presta mais serviços para o jogador e sua esposa.
Posição do casal: negação e alegação de boa-fé
Em comunicado enviado à Reuters, Lucas Hernández, campeão mundial em 2018, e Victoria Triay negaram veementemente qualquer irregularidade. O casal afirmou ter agido de boa-fé e que acolheu a família colombiana por compaixão, alegando ter sido enganado quanto à situação migratória dos estrangeiros. “Abrimos nossa casa e nossas vidas a pessoas que se apresentaram como amigas, que buscaram nossa bondade e por quem tínhamos um afeto genuíno”, declarou o comunicado. O casal sustentou que os imigrantes afirmaram estar em processo de regularização junto às autoridades francesas e que nunca tiveram a intenção de burlar a lei. “Nós os ajudamos, os apoiamos e acreditamos neles. Essa confiança foi traída”, concluíram, afirmando que “agimos como seres humanos e aprendemos, dolorosamente, como a compaixão pode ser explorada”.

