Fim de uma trajetória controversa
Morreu Marcelo VIP, figura que ganhou notoriedade nacional nos anos 2000 por uma série de golpes e fugas espetaculares. Aos 50 anos, ele estava em liberdade e, segundo amigos, buscava reconstruir sua vida como palestrante e escritor, refletindo sobre sua história.
Um amigo, identificado apenas como Bona, lamentou a perda em suas redes sociais: “Aquele que fez muita coisa errada na vida, mas que soube aproveitar as novas chances e escrever outra história. Descanse em paz, meu amigo. Obrigado por tudo. Meus sentimentos a toda família”.
O golpe que o projetou nacionalmente
Marcelo Rocha, nome verdadeiro do golpista, viveu por anos em Cuiabá e chegou a cumprir pena na Penitenciária Central do Estado (PCE). Sua fama explodiu em 2001, quando, durante uma festa em Recife (PE), ele se apresentou como Henrique Constantino, um dos fundadores da Gol Linhas Aéreas. Na ocasião, concedeu entrevistas à imprensa como se fosse o empresário, um episódio que o projetou para todo o país.
Inspiração para o cinema
A saga de golpes e fugas de Marcelo VIP inspirou o filme “VIPs – Histórias reais de um mentiroso”, lançado em 2010 e estrelado por Wagner Moura. A produção, que retratou o impostor em diversas facetas – como executivo, piloto e até líder do tráfico –, alcançou cerca de 600 mil espectadores e foi premiada no Festival do Rio. Na época das filmagens, Marcelo estava preso na PCE.
Reincidência e reviravolta final
Ao longo de sua vida, Marcelo acumulou condenações por tráfico, roubo de avião, estelionato e falsidade ideológica. Foi preso ao menos 12 vezes e protagonizou seis fugas. Em 2018, foi detido novamente sob acusação de falsificar documentos para obter progressão de regime. Após deixar a cadeia em definitivo, buscou se reerguer, transformando sua experiência em lições compartilhadas em palestras e em sua escrita.

