A líder da oposição venezuelana e laureada com o Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, declarou neste sábado (3) que “chegou a hora da liberdade” após os ataques promovidos pelos Estados Unidos que culminaram na “captura” do presidente Nicolás Maduro. Em nota oficial, Machado afirmou que Maduro “enfrenta a justiça internacional por crimes atrozes cometidos contra os venezuelanos e contra cidadãos de muitas outras nacionalidades”. Ela ressaltou que, diante da recusa de Maduro em aceitar uma saída negociada, o governo dos Estados Unidos “cumpriu sua promessa de fazer valer a lei”.
Exigência de posse para Edmundo González Urrutia
Machado também exigiu que Edmundo González Urrutia, que segundo a oposição venceu as eleições presidenciais contra Maduro, “assuma de imediato seu mandato constitucional e seja reconhecido como comandante chefe das Forças Armadas Nacionais por todos os oficiais e soldados”. A opositora declarou que “estamos preparados para fazer valer nosso mandato e tomar o poder”, e que a oposição permanecerá “vigilantes, ativos e organizados até que se concretize a transição democrática”.
Contexto da “captura” de Maduro e acusações anteriores
Os ataques americanos, que resultaram na captura de Maduro, ocorreram nas primeiras horas deste sábado em Caracas e arredores, atingindo também alvos nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Relatos indicam explosões e o sobrevoo de aeronaves sobre Caracas, com bombardeios aéreos em Fuerte Tiuna, principal base militar da capital. O ex-presidente Donald Trump descreveu a operação como “brilhante”.
Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram retirados de sua residência em Fuerte Tiuna por militares americanos. A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, declarou que o paradeiro de Maduro e Flores é desconhecido e exigiu “prova de vida imediata”. Trump afirmou posteriormente que Maduro está a bordo do navio de guerra americano Iwo Jima, a caminho de Nova York para ser julgado. A Secretária de Justiça dos EUA, Pam Bondi, confirmou que Maduro “em breve enfrentará a força total da Justiça americana”.
Maduro já havia sido indiciado em 2020 pelo Distrito Sul de Nova York por crimes de “Conspiração para o Narcoterrorismo, Conspiração para Importação de Cocaína, Posse de Metralhadoras e Dispositivos Destrutivos e Conspiração para Possuir Metralhadoras e Dispositivos Destrutivos contra os Estados Unidos”. Na época, o Departamento de Justiça acusou Maduro de transformar a Venezuela em uma organização criminosa a serviço de narcotraficantes e grupos terroristas.
Tensões e operações militares americanas na região
A escalada de tensão ocorre em um contexto de crescente mobilização militar americana na América Latina. Em outubro, Trump autorizou a CIA a conduzir operações secretas na Venezuela, aumentando especulações sobre um desejo de derrubar Maduro. O Pentágono apresentou diversas opções de ataques a instalações militares venezuelanas, justificadas por supostos vínculos entre setores das Forças Armadas e o narcotráfico. Os EUA acusam Maduro de liderar o Cartel de los Soles.
O planejamento militar ocorre em meio ao envio de um porta-aviões, destróieres, caças F-35, um submarino nuclear e cerca de 6.500 soldados para o Caribe. Juristas e legisladores democratas expressaram alarme, considerando as ações violações do direito internacional. Trump, por sua vez, argumenta que os EUA já estão em guerra com grupos narcoterroristas da Venezuela, tornando os ataques legítimos.
No entanto, dados da ONU, como o Relatório Mundial sobre Drogas de 2025, indicam que o fentanil, principal responsável por overdoses nos EUA, tem origem no México, e não na Venezuela. A cocaína, outra droga amplamente consumida nos EUA, tem sua origem majoritariamente na Colômbia, Bolívia e Peru. Pesquisas de opinião nos EUA revelam uma divisão na população quanto ao apoio ao uso das Forças Armadas para matar suspeitos de narcotráfico sem devido processo judicial.

