Brasil busca informações precisas sobre ataques dos EUA à Venezuela
O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manteve um contato telefônico com o chanceler da Venezuela, Yvan Gil, em meio ao agravamento da crise regional após ataques atribuídos aos Estados Unidos ao país vizinho. A conversa teve como foco a troca de informações sobre a situação no território venezuelano e seus desdobramentos. O Itamaraty acompanha os acontecimentos com cautela e mantém canais diplomáticos abertos com Caracas.
A iniciativa do governo brasileiro ocorre enquanto se avaliam os impactos do conflito, especialmente na extensa fronteira comum entre Brasil e Venezuela, e se busca reunir dados mais precisos antes de qualquer posicionamento público mais amplo. Na manhã deste sábado, o governo brasileiro convocou uma reunião de emergência para discutir o ataque e a suposta captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciada pelo presidente americano, Donald Trump.
Ataque e Captura de Maduro: Versão Americana e Reações Internacionais
O episódio ocorreu durante a madrugada, com relatos de explosões em Caracas e em outros estados venezuelanos. Pouco depois, Donald Trump afirmou em rede social que os Estados Unidos realizaram uma ofensiva militar de grande escala e que Maduro e sua esposa teriam sido capturados e retirados do país por via aérea. Washington, no entanto, não informou para onde o presidente venezuelano foi levado nem a base legal da operação. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros militares sobrevoando a capital e colunas de fumaça, além de relatos de interrupções no fornecimento de energia e explosões próximas a instalações militares, informações ainda não confirmadas de forma independente.
Líderes latino-americanos reagiram de formas distintas. Gustavo Petro, da Colômbia, e Miguel Díaz-Canel, de Cuba, condenaram a ação dos Estados Unidos, enquanto Javier Milei, da Argentina, celebrou a operação. Petro expressou profunda preocupação com os relatos de ataques e atividades aéreas incomuns, assim como o consequente aumento de tensão na região.
Preocupações Brasileiras com a Fronteira
Uma das principais preocupações do governo brasileiro diante dos ataques dos Estados Unidos à Venezuela é a extensa fronteira terrestre compartilhada pelos dois países, com mais de 2 mil quilômetros. Avaliações indicam que a instabilidade no território venezuelano pode gerar impactos diretos sobre a região Norte do Brasil.
A apreensão não se limita a um eventual aumento do fluxo de imigrantes venezuelanos em direção ao Brasil, movimento que já ocorre há anos. Autoridades brasileiras também veem risco de que a intensificação do conflito facilite a entrada, pela fronteira, de pessoas ligadas a organizações criminosas, especialmente ao narcotráfico.
Diplomacia Brasileira em Movimento
Além das informações obtidas pela Embaixada do Brasil em Caracas e de contatos com autoridades venezuelanas, há a expectativa de que Mauro Vieira converse também com chanceleres de outros países da região, como a chanceler da Colômbia, Rosa Villavicencio. Até o momento, não há definição sobre o teor nem sobre o horário de uma eventual nota oficial do Brasil, que dependerá da consolidação das informações recebidas e da avaliação conjunta após a reunião de emergência.

