A comunidade do hóquei no gelo celebra um anúncio que promete redefinir o cenário olímpico: a participação dos atletas da National Hockey League (NHL) nos Jogos de Inverno de 2026, em Milão e Cortina d’Ampezzo. Esta confirmação, resultado de um esforço conjunto entre a NHL, a Associação de Jogadores da NHL (NHLPA) e a Federação Internacional de Hóquei no Gelo (IIHF), encerra um hiato que se estendia desde 2014, marcando a ausência dos melhores jogadores do mundo em PyeongChang 2018 e Pequim 2022. O retorno não só restaura o prestígio da medalha de ouro olímpica, mas também oferece a uma nova geração de superestrelas a chance de representar suas nações no maior palco esportivo do mundo.
O Caminho de Volta: Histórico e Desafios da Relação NHL-COI
A relação entre a principal liga de hóquei do mundo e o Comitê Olímpico Internacional (COI) sempre foi complexa, moldada por interesses comerciais, logística de calendário e custos. Durante grande parte do século XX, o hóquei olímpico era um torneio para amadores, excluindo os profissionais da NHL. Essa dinâmica mudou drasticamente a partir de 1998, nos Jogos de Nagano, quando os jogadores da NHL estrearam, com a liga paralisando sua temporada. Seguiu-se uma “era de ouro” de 2002 a 2014, com o Canadá consolidando sua hegemonia. No entanto, a NHL recusou-se a liberar os atletas para 2018, citando questões financeiras, de seguro, viagem e fuso horário. Embora houvesse um acordo inicial para Pequim 2022, a pandemia de COVID-19 e o desajuste de calendário forçaram uma nova ausência. O acordo atual representa uma superação desses obstáculos, garantindo a presença dos atletas também para 2030.
O Triunfo do “Best-on-Best”: A Essência da Competição
A principal razão pela qual o retorno dos jogadores da NHL é tão vital reside no conceito de “best-on-best” (melhor contra melhor). Sem a elite da NHL, o torneio olímpico se transforma em uma competição de nível secundário, dominada por jogadores de ligas europeias ou universitárias. O retorno em 2026 eleva o nível técnico aos padrões máximos possíveis, conferindo à medalha de ouro o status de título indiscutível de supremacia mundial. Além disso, permitirá que jogadores geracionais como Connor McDavid (Canadá) e Auston Matthews (EUA), que dominam a liga há anos, finalmente façam sua estreia olímpica. Com os elencos completos, seleções como Finlândia, Suécia e Estados Unidos poderão equiparar forças com o poderoso Canadá, prometendo um torneio imprevisível e de alta octanagem.
Ajustes e Expectativas: As Regras e o Gelo de Milão-Cortina
Para viabilizar a participação, foi necessário um acordo complexo que prevê a paralisação da temporada da NHL em fevereiro. As regras do torneio olímpico, gerenciadas pela IIHF, diferem ligeiramente das da NHL, exigindo adaptação dos atletas. Um ponto crucial é o tamanho do gelo: tradicionalmente, o gelo olímpico (internacional) é mais largo (30 metros) do que o da NHL (26 metros). Contudo, para 2026, a IIHF sinalizou a utilização das medidas da NHL (60x26m). Essa decisão visa facilitar a adaptação dos jogadores, aumentar a velocidade e o contato físico do jogo, alinhando-se ao estilo norte-americano. Diferenças sutis em infrações como o icing e punições por brigas (muito mais rigorosas na IIHF) também exigirão atenção. O formato do torneio geralmente envolve 12 equipes divididas em três grupos, com um sistema de playoffs para as fases eliminatórias.
Estrelas em Gelo Olímpico: Quem Brilhará em 2026?
O cenário para 2026 se desenha com um favoritismo dividido, dada a concentração de talento nas diversas nacionalidades presentes na NHL. O Canadá, maior potência histórica, deve contar com nomes como Connor McDavid, Nathan MacKinnon e Cale Makar, com uma profundidade de elenco que pode deixar estrelas de fora. Os Estados Unidos, com talvez a geração mais talentosa de sua história, liderados por Auston Matthews, os irmãos Hughes e Matthew Tkachuk, buscarão um ouro que não conquistam desde 1980. A Suécia, conhecida pela excelência defensiva, terá Victor Hedman e Rasmus Dahlin, além de atacantes como William Nylander. A Finlândia, atual campeã olímpica (2022) e mundial, conhecida pelo jogo coletivo disciplinado, contará com Aleksander Barkov e Mikko Rantanen como peças centrais.
A história do hóquei olímpico é rica em momentos icônicos, muitos deles potencializados pela presença dos jogadores da NHL, como o “Golden Goal” de Sidney Crosby em Vancouver 2010, ou o recorde de Teemu Selänne, que competiu em seis Olimpíadas. A reinserção dos atletas da NHL no ciclo olímpico, garantida para 2026 e 2030, não é apenas uma questão de entretenimento, mas de integridade esportiva, assegurando que os melhores talentos do planeta disputem a medalha de ouro e ofereçam ao mundo o espetáculo máximo de velocidade, habilidade e estratégia que a modalidade pode proporcionar.

