Com a chegada do verão e a previsão de uma nova onda de calor que deve atingir praticamente todo o Brasil, é fundamental entender como nosso corpo reage a essas condições extremas. O organismo humano trabalha incansavelmente para manter uma temperatura interna estável de 36,5°C, mas em dias de calor intenso, esse sistema de resfriamento pode ficar sobrecarregado, levando a consequências sérias.
Por Que Suamos e o Coração Dispara no Calor?
O suor é o principal mecanismo de defesa do corpo contra o superaquecimento. Ao evaporar da pele, ele dissipa calor. No entanto, em temperaturas muito altas, a transpiração pode não ser suficiente. Para compensar, o coração acelera e os vasos sanguíneos se dilatam para tentar circular o sangue mais rapidamente e liberar calor. Esse esforço extra pode ser perigoso, especialmente para pessoas com condições preexistentes.
Grupos de Risco e Doenças Agravadas pelo Calor
Idosos, crianças, pessoas obesas, diabéticos, portadores de doenças cardiovasculares, respiratórias e renais são os mais vulneráveis aos efeitos do calor extremo. Mulheres também tendem a ter menor tolerância devido a fatores hormonais e à distribuição de gordura corporal. Estudos apontam que o calorão pode desencadear ou agravar uma série de distúrbios, incluindo doenças cardiovasculares (principal causa de morte associada ao calor), respiratórias, cerebrovasculares, renais e diabetes. A desidratação e o estresse térmico sobrecarregam os rins, e alterações no fluxo sanguíneo podem piorar o quadro de diabéticos.
Impactos Menos Óbvios: Saúde Mental e Sono
Além dos efeitos físicos diretos, o calor extremo também afeta a saúde mental e a qualidade do sono. Pesquisas indicam que o calor pode prejudicar a cognição e a concentração, especialmente em idosos. Há também uma associação entre ondas de calor e o aumento de casos de suicídio, depressão e episódios de violência. Dormir mal devido ao calor impacta negativamente o humor, a atenção e a disposição geral. A desidratação e o raciocínio prejudicado pelo calor também aumentam o risco de acidentes.
O Calor como Vetor de Doenças Infecciosas
As altas temperaturas criam um ambiente propício para a proliferação de vetores de doenças. Mosquitos e carrapatos têm seu habitat ampliado e sua reprodução estimulada pelo calor, aumentando o risco de epidemias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou para um possível aumento expressivo nos casos de dengue, chikungunya, zika, febre amarela e malária. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) também advertiu sobre a multiplicação de doenças transmitidas por carrapatos, como a febre maculosa.
Para enfrentar essas ondas de calor, é essencial manter-se hidratado, usar roupas leves e claras, procurar ambientes ventilados e, se possível, frescos. Em casos de mal-estar, tontura ou outros sintomas preocupantes, é fundamental buscar atendimento médico imediatamente.

