Crítica à “guerra que voltou à moda”
O papa Leão XIV condenou veementemente o uso da força militar como meio de alcançar objetivos diplomáticos. Em um discurso anual de política externa, considerado excepcionalmente inflamado, o pontífice alertou que a guerra “voltou à moda” e que um “fervor bélico está se espalhando”. Ele expressou particular preocupação com a fragilidade das organizações internacionais diante dos conflitos globais, observando que a diplomacia baseada no diálogo e no consenso está sendo substituída por uma abordagem de força.
Apelo pela Venezuela
Referindo-se à recente captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, o papa Leão XIV pediu que os governos mundiais “respeitem a vontade” do povo venezuelano. Ele enfatizou a necessidade de salvaguardar os direitos humanos e civis dos cidadãos do país. O pontífice, que antes serviu como missionário no Peru, fez esses comentários na presença de embaixadores credenciados no Vaticano, incluindo os representantes dos Estados Unidos e da Venezuela junto à Santa Sé.
Tom incisivo sobre liberdades e ideologias
No discurso de 43 minutos, o papa americano adotou um tom mais incisivo do que em seus primeiros meses de pontificado. Além de condenar conflitos, Leão XIV criticou duramente práticas como aborto, eutanásia e barriga de aluguel. De forma incomumente firme, alertou para a “diminuição rápida” da liberdade de expressão em países ocidentais, descrevendo o desenvolvimento de uma “nova linguagem ao estilo orwelliano” que, em busca de inclusão, acaba excluindo aqueles que não se conformam a certas ideologias. Ele também apontou uma “forma sutil de discriminação religiosa” sofrida por cristãos na Europa e nas Américas.
Um novo perfil papal
Eleito após a morte do papa Francisco, Leão XIV, anteriormente conhecido como cardeal Robert Prevost, tem apresentado um estilo distinto de seu antecessor. Enquanto Francisco frequentemente aparecia nas manchetes com comentários espontâneos, Leão XIV, apesar de já ter criticado políticas específicas, como as de imigração do presidente Donald Trump (sem mencioná-lo nominalmente no discurso), demonstrou em seus primeiros meses um tom mais moderado. No entanto, o discurso desta sexta-feira (9) revelou uma faceta mais assertiva e direta na abordagem de questões globais e sociais.

