Operação Barco de Papel investiga irregularidades em aplicações financeiras
A Polícia Federal (PF) realizou buscas na residência de Deivis Marcon Antunes, presidente do Rioprevidência, fundo de aposentadorias dos servidores do estado do Rio, na manhã desta sexta-feira (23). Antunes não estava no imóvel, localizado na zona sul da cidade, pois viajou para os Estados Unidos há cerca de uma semana. Para acessar o interior da casa, os policiais federais precisaram acionar um chaveiro. Durante a ação, foram apreendidos R$ 6 mil em espécie.
Presidente do Rioprevidência de férias nos EUA; defesa afirma que viagem era programada
Segundo informações obtidas pelo Estadão e confirmadas por VEJA, Deivis Marcon Antunes está de férias com a família nos Estados Unidos. A defesa do presidente do Rioprevidência informou que o período de descanso já estava programado desde novembro de 2023 e que, até o momento, não há data definida para seu retorno. É importante ressaltar que, nesta fase da Operação Barco de Papel, a PF cumpriu apenas mandados de busca, não havendo ordens de prisão ou medidas cautelares contra o dirigente.
Investimentos bilionários sob suspeita de risco elevado
A investigação apura irregularidades em investimentos realizados pelo Rioprevidência no Banco Master. Sob a gestão de Deivis Marcon Antunes, que comanda o fundo desde 2023, foram investidos cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras da instituição. A PF considera que essas operações expuseram o patrimônio da autarquia a um risco elevado e incompatível com sua finalidade.
Rioprevidência afirma seguir legislação; investigação começou com auditoria
Em nota oficial, o Rioprevidência declarou que todos os investimentos realizados observaram rigorosamente a legislação vigente e as normas dos órgãos de controle. O fundo também se colocou à disposição das autoridades para prestar os devidos esclarecimentos. A Operação Barco de Papel teve início em novembro, a partir de uma auditoria do Ministério da Previdência Social, que identificou um crescimento incomum dos investimentos do Rioprevidência no banco de Daniel Vorcaro. A fiscalização apontou uma mudança no padrão de investimentos, capturada por métricas de risco e avaliação de comportamento de mercado. A PF investiga se houve falhas na aprovação dessas aplicações, apurando crimes como associação criminosa, corrupção passiva, gestão fraudulenta, desvio de recursos, induzir em erro repartição pública, fraude à fiscalização ou ao investidor e crimes contra o sistema financeiro nacional.

