Saída Misteriosa de Oslo
A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, deixou a capital norueguesa de Oslo. A informação foi confirmada pelo primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Store, em entrevista à Bloomberg nesta quarta-feira. Detalhes sobre o destino da líder opositora venezuelana não foram divulgados, mantendo seu paradeiro em sigilo. Uma porta-voz de Machado, Magalli Meda, declarou que a ativista está focada em sua saúde e necessita de um período de descanso.
Saúde e Viagem Perigosa
Fontes próximas a Machado, de 58 anos, indicam que a líder política teria sofrido uma fratura na coluna após uma viagem em condições climáticas adversas em seu país. Sua ausência na cerimônia de entrega do Nobel da Paz, na semana passada, onde sua filha recebeu a honraria em seu nome, já levantava preocupações. A viagem para Oslo marcou uma saída temporária de seu país, onde ela é uma figura proeminente na oposição ao governo de Nicolás Maduro.
Cenário de Repressão na Venezuela
A saída de Machado da Noruega ocorre em um momento de escalada na repressão contra opositores na Venezuela. Na última segunda-feira, agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) prenderam Melquiades Pulido García, coordenador de gestão pública do partido Vamos Venezuela, liderado por Machado. Pulido García, que sofre de Parkinson e necessita de cuidados médicos especiais, foi detido à força enquanto caminhava, segundo denúncias do partido. A ONG Foro Penal reporta a existência de ao menos 889 “presos políticos” no país, com defensores de direitos humanos alertando para um padrão de perseguição que inclui detenções arbitrárias e desaparecimentos forçados.
Intensificação da Perseguição
A perseguição política na Venezuela tem se intensificado nos últimos meses, conforme alertado por especialistas da ONU. Casos recentes incluem a prisão de José Elías Torres, coordenador-geral de um importante sindicato, e Nicmer Evans, diretor do portal de notícias Punto de Corte. Familiares de cerca de 900 “presos políticos” exigiram a libertação de seus entes queridos até o Natal. O governo de Maduro também tem incentivado o uso de aplicativos para denúncias de “atividades suspeitas”, além do envio de grupos paramilitares, conhecidos como “colectivos”, para monitorar e reprimir a oposição em bairros populares. Essa postura repressiva se intensificou após ataques dos Estados Unidos a embarcações ligadas ao narcotráfico, em um contexto de tensões geopolíticas e temores de intervenção.

