O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o presidente da China, Xi Jinping, anunciaram nesta quinta-feira (29) um significativo avanço na reaproximação diplomática entre os dois países. Após um encontro em Pequim, os líderes divulgaram um acordo de investimento bilionário da farmacêutica AstraZeneca nas suas operações chinesas, em um movimento que ambos consideram benéfico para as nações.
Investimento bilionário e novas facilidades para viagens
A farmacêutica AstraZeneca comprometeu-se a investir US$ 15 bilhões em suas atividades na China, conforme anunciado por Starmer. Este acordo surge em um momento crucial para o premiê trabalhista, que busca impulsionar o crescimento econômico prometido em sua campanha eleitoral e prioriza a melhoria das relações com Pequim, mesmo diante de preocupações persistentes sobre espionagem e direitos humanos. Starmer ressaltou a importância da China como “ator vital no cenário global” e a necessidade de construir uma relação “mais sofisticada”, capaz de identificar oportunidades de colaboração e, ao mesmo tempo, manter um diálogo aberto sobre divergências.
Diálogo aquecido e gestos de boa vontade
O encontro entre Starmer e Xi, que durou cerca de três horas e incluiu uma cúpula formal e um almoço, foi descrito pelo premiê britânico como “caloroso e construtivo”. Além das discussões de Estado, os líderes abordaram temas de interesse comum, como o futebol, com os clubes da Premier League contando com uma grande base de fãs na China. Em um gesto simbólico, Starmer presenteou Xi com a bola de uma partida entre o Manchester United, time do presidente chinês, e o Arsenal, clube de Starmer. O premiê britânico ainda anunciou um novo acordo que isenta cidadãos britânicos de visto para estadias na China de até 30 dias e avanços na redução de tarifas sobre o uísque britânico.
Um novo capítulo nas relações sino-britânicas
Esta visita de quatro dias de Starmer à China é a primeira de um primeiro-ministro britânico ao país em oito anos. As administrações conservadoras anteriores haviam visto um deterioramento nas relações, com restrições a investimentos chineses por motivos de segurança nacional e críticas ao apoio de Pequim à Rússia na guerra da Ucrânia. Xi Jinping, por sua vez, reconheceu que as “reviravoltas” nas relações bilaterais não serviram aos interesses de nenhum dos países e expressou a disposição da China em firmar uma parceria de longo prazo, buscando alcançar “um resultado que resista ao teste da história”.
Contexto global e a busca por estabilidade
A reaproximação entre Londres e Pequim ocorre em um cenário de crescente tensão global, influenciado pelas políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cujas tarifas e ameaças têm gerado imprevisibilidade econômica e abalado alianças históricas. A busca do Reino Unido por relações mais estáveis com a China pode ser interpretada, em parte, como uma estratégia para navegar neste ambiente internacional complexo e incerto.

