O incidente com Virgínia Fonseca em Dubai reacende o debate sobre os perigos da escova progressiva.
O que era para ser um simples ritual de beleza se transformou em um momento de apreensão para a influenciadora Virgínia Fonseca durante uma viagem a Dubai. Ao procurar um salão de beleza para uma lavagem e hidratação capilar, a influenciadora relatou ter saído do local com a suspeita de ter passado por um procedimento de escova progressiva, algo que ela não desejava. A situação, classificada por ela como um “perrengue chique”, foi agravada pela dificuldade de comunicação, forçando o uso de um tradutor no celular para explicar o serviço pretendido.
“Eu acho que essa hidratação mexeu na cor do meu cabelo. Estou achando que meteram uma progressiva no meu cabelo. Ele passou um produto, bateu um secador e meu olho ardeu. Sensação de desespero”, desabafou Virgínia em suas redes sociais. O forte odor do produto e a ardência nos olhos chamaram sua atenção durante o procedimento, que custou cerca de R$ 4.385. Apesar de ter gostado do resultado estético inicial, a influenciadora expressou preocupação com as possíveis consequências a longo prazo, incluindo o impacto na futura aplicação de tintura no cabelo e dores de cabeça.
Especialistas alertam para os riscos ocultos em procedimentos químicos capilares.
O episódio vivido por Virgínia Fonseca serviu como um alerta para os riscos associados a procedimentos químicos de alisamento capilar, especialmente quando há falta de clareza sobre os produtos utilizados. Especialistas em saúde capilar e dermatologia ressaltam que a falta de informação e comunicação pode levar a danos significativos.
Danos aos fios e couro cabeludo: a agressão das substâncias químicas.
O especialista em transplante capilar e queda de cabelo, Vlassios Marangos, destaca que o desconhecimento sobre as substâncias aplicadas é um dos principais pontos de atenção. “Algumas progressivas utilizam substâncias bastante agressivas para modificar a estrutura do fio. Quando o produto não é adequado ou a aplicação não respeita critérios técnicos, os danos podem ser significativos, como quebra, ressecamento intenso, afinamento do cabelo e inflamações no couro cabeludo, que favorecem quadros de queda”, explica.
A dermatologista Camila Sampaio corrobora, alertando para os impactos no couro cabeludo: “Produtos químicos podem causar dermatites, queimaduras, coceira intensa, descamação e queda de cabelo por inflamação local”. Ela acrescenta que os efeitos nem sempre são imediatos, dificultando a associação direta com o procedimento.
Ameaças às vias respiratórias: vapores irritantes e seus efeitos.
A ardência nos olhos e o cheiro forte relatados por Virgínia são sinais de alerta para a otorrinolaringologista Renata Lopes. “Muitos produtos liberam substâncias irritantes quando aquecidos, capazes de provocar ardor no nariz e na garganta, tosse, dor de cabeça, sensação de aperto no peito e até falta de ar.” Pessoas com histórico de rinite, sinusite ou asma são ainda mais vulneráveis à inalação desses vapores, que podem desencadear crises. Em casos de desconforto intenso, tosse persistente, tontura ou dificuldade para respirar, o ideal é interromper o procedimento e buscar um ambiente ventilado.
Cuidados e prevenção: a saúde em primeiro lugar.
O relato de Virgínia Fonseca serve como um lembrete crucial: “A estética não pode vir antes da saúde. Informar-se sobre o produto, questionar o profissional e respeitar os limites do próprio corpo são atitudes fundamentais para evitar problemas que podem ter consequências duradouras”, conclui Vlassios Marangos. A médica Renata Lopes reforça a importância de estar atento aos sinais do corpo durante o procedimento e, em caso de reações adversas, interromper imediatamente.

