Investigação do Departamento de Justiça e a Independência do Fed
O presidente Donald Trump declarou que não possui planos de demitir o atual presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, apesar de uma investigação em andamento pelo Departamento de Justiça sobre a reforma da sede do banco central dos Estados Unidos. Em entrevista à Reuters, Trump afirmou: “Não tenho nenhum plano de fazer isso”. No entanto, o presidente americano ressaltou que ainda não chegou a uma conclusão definitiva sobre se a investigação lhe daria bases para afastar Powell do cargo, considerando que “é cedo demais” para determinar uma ação futura. “No momento, estamos em uma espécie de compasso de espera com ele, e vamos decidir o que fazer. Mas não posso entrar em detalhes”, acrescentou.
Base Legal para Demissão e o Futuro de Powell no Fed
A legislação federal estipula que governadores do Federal Reserve só podem ser demitidos por justa causa, e não por divergências de política monetária. O mandato de Jerome Powell como presidente do Fed termina em maio, mas ele tem a possibilidade de permanecer no Conselho de Governadores, com sede em Washington, até 2028. A investigação sobre a reforma, que envolve um projeto de US$ 2,5 bilhões em dois prédios históricos, foi classificada por Powell como um pretexto para uma campanha de pressão relacionada às taxas de juros. Powell alertou que a questão central é se o Fed continuará definindo taxas com base em evidências econômicas ou se a política monetária será influenciada por “pressão ou intimidação política”.
Indicações para o Fed e Críticas de Parlamentares
Trump também se mostrou indiferente às preocupações de parlamentares republicanos que criticaram a investigação, temendo que ela seja uma tentativa de influenciar as decisões sobre juros. “Não me importo. Não há nada a dizer. Eles deveriam ser leais. É isso que eu digo”, afirmou o presidente. Ele reiterou sua intenção de seguir adiante com os planos de indicar substitutos para Powell nas “próximas semanas”, mesmo diante da ameaça do senador republicano Thom Tillis de bloquear indicações para o Fed até o fim da investigação. Na entrevista, Trump elogiou dois nomes já mencionados anteriormente como possíveis indicados: Kevin Hassett, principal assessor econômico da Casa Branca, e Kevin Warsh, ex-diretor do Fed. “Os dois Kevins são muito bons”, disse Trump, adicionando que há “outras pessoas boas” e que anunciará algo em breve.
Pressão de Trump sobre as Taxas de Juros
A investigação sobre a reforma da sede do Fed representa uma escalada nas críticas do governo Trump à instituição e levanta novas preocupações sobre sua independência. Trump tem pressionado publicamente Powell, a quem ele mesmo nomeou para a presidência do Fed, por não ter reduzido as taxas de juros básicas com a rapidez e a magnitude desejadas pelo presidente republicano. A situação atual adiciona uma camada de complexidade às discussões sobre a política monetária e a autonomia do banco central americano.

