Investigação por Financiamento Ilícito
O Ministério Público do Equador iniciou uma investigação sobre um suposto financiamento da Venezuela à campanha presidencial de 2023 da ex-candidata de esquerda Luisa González. Segundo as autoridades equatorianas, há a presunção de que dinheiro ilícito em espécie teria sido enviado da Venezuela para financiar a campanha de González, que disputou a eleição contra o atual presidente Daniel Noboa e foi derrotada. A investigação surge em um contexto de crescente violência ligada ao narcotráfico no país.
Busca na Residência da Ex-Candidata
Como parte da investigação, a residência de Luisa González foi revistada. O Ministério Público divulgou uma imagem da ex-candidata, visivelmente surpresa, vestindo pijama e com o rosto desfocado. Em resposta às acusações, González negou veementemente qualquer recebimento de fundos da Venezuela ou de outras fontes ilícitas. “Não recebemos um único centavo da Venezuela, nem de nenhum cartel, nem de ninguém”, afirmou ela em uma coletiva de imprensa em Quito.
Acusações e Contra-Acusações
O presidente equatoriano, Daniel Noboa, que estava no Fórum Econômico Mundial em Davos, declarou que campanhas políticas no Equador foram financiadas pelo regime de Nicolás Maduro, com o fluxo de dinheiro proveniente da PDVSA, a petroleira estatal venezuelana. Essas declarações ecoam as denúncias de que a Venezuela tem sido uma fonte de financiamento para a oposição equatoriana. Por outro lado, Luisa González acusou o governo Noboa de corrupção e de ligações com o narcotráfico, afirmando que sua família também tem sido alvo de denúncias infundadas.
Contexto Político e Repercussões
A investigação e as buscas ocorrem em um cenário político polarizado. O ex-presidente equatoriano Rafael Correa, aliado histórico da Venezuela, manifestou-se nas redes sociais sobre as buscas nas casas de seus afilhados políticos, incluindo González e Andrés Arauz. Correa, que reside na Bélgica e foi condenado por corrupção, também aparece em uma notificação do Ministério Público como investigado. A Revolução Cidadã, partido liderado por Correa, é a maior força legislativa no Equador, apesar de o partido governista também deter uma expressiva bancada, com o apoio de outros setores.

