Manifestação na Avenida Paulista une venezuelanos e brasileiros em celebração e reflexão
Na Praça do Ciclista, um local simbólico na Avenida Paulista, em São Paulo, venezuelanos residentes no Brasil se reuniram para celebrar a deposição de Nicolás Maduro, líder do chavismo. O ato, convocado pela Associação Brasileira de Amigos para a Venezuela, reuniu dezenas de pessoas, incluindo brasileiros que empunhavam bandeiras dos Estados Unidos e do Brasil, e expressavam apoio a figuras como Bolsonaro. Contudo, o clima era de uma alegria misturada com apreensão.
Visão dos Exilados: Alegria e Incerteza com o Futuro da Venezuela
Venezuelanos presentes relataram uma complexa mistura de sentimentos. “Estamos vivendo uma felicidade angustiada”, descreveu Renzo Moreno, advogado que fugiu da Venezuela há oito anos após ser alvo de uma ordem de prisão. Ele e outros compatriotas expressaram incômodo com a instrumentalização de sua crise por grupos políticos brasileiros, tanto de direita quanto de esquerda. “Ambas as partes se apropriam da dor dos venezuelanos por oportunismo político”, afirmou Moreno, ressaltando que a situação em seu país não tem relação com a prisão de Bolsonaro.
Críticas à Intervenção e Esperança por Transição Democrática
Carla Ramos, que migrou para São Paulo devido à crise, descreveu o ocorrido não como uma invasão, mas como a “extradição de um ditador narcoterrorista”. Sua mãe, Isabel Urrea, complementou que a vida na Venezuela se tornou insustentável devido à inflação e à falta de poder aquisitivo. Ambas esperam um governo de transição que traga de volta a democracia e oportunidades. Moreno também defendeu a justiça acima das leis internacionais em casos de tirania, mas reconheceu a violação da soberania venezuelana. Ele enfatizou que, para o povo, a prioridade é a liberdade e a democracia, não a exploração do petróleo, que segundo ele, sob o governo Maduro e russos, não garantia comida na mesa.
Otimismo Cauteloso e a Persistência da Estrutura de Poder
Jorge Modernell, que vive no Brasil desde 2008, expressou otimismo cauteloso. “O chavismo sequestrou o futuro e a esperança de uma geração de venezuelanos”, disse ele. No entanto, Modernell alerta que a queda de Maduro pode não trazer mudanças drásticas imediatas, pois a estrutura de poder, segundo ele, ainda é controlada por militares e cubanos. Ele mencionou que negociações entre Trump e Delcy Rodríguez podem indicar que “muita coisa não vai mudar do dia para a noite”. Durante o ato, ativistas venezuelanos criticaram o apoio de parte da esquerda brasileira ao chavismo, e Padre Kelmon, ex-candidato presidencial, também discursou, criticando políticos que lamentaram a intervenção e clamando por uma “faxina ideológica”. Ao final, os presentes cantaram o hino nacional venezuelano e seguiram em passeata até o Masp.

