Um Coração Cultural na Zona Norte
O Viaduto Prefeito Negrão de Lima, em Madureira, popularmente conhecido como Viaduto de Madureira, é um símbolo da cultura urbana carioca. Reconhecido como patrimônio cultural do Rio de Janeiro, o local ganhou fama nacional com o Baile Charme, que acontece aos sábados e atrai multidões com seus passinhos sincronizados e a estética marcante. No entanto, o que muitos não sabem é que o viaduto e seus arredores são palco de uma efervescência cultural que se estende por toda a semana, indo muito além do Charme.
Diversidade que Abraça: Do Jongo ao Brechó
A transformação do viaduto em um espaço de acolhimento e encontro é um dos seus maiores trunfos. Sob a estrutura, diferentes manifestações culturais convivem e se fortalecem. A Companhia de Aruanda, por exemplo, promove o Fuzuê de Aruanda toda terceira quinta-feira do mês. O evento, gratuito e aberto ao público, tem o jongo como eixo central, mas também celebra o samba de roda, coco, maracatu e ciranda, conectando memória, música e ancestralidade em um grande terreiro ancestral. Ana Cê Santanna, sócia-fundadora da companhia, descreve o espaço como um “colo de mãe”, que acolhe e sempre tem espaço para mais gente.
Samba, Rima e Empreendedorismo Feminino
As noites de sexta-feira são embaladas pela Roda de Samba do Nego Damoé, que reforça a vocação de Madureira como berço do samba. Já aos sábados, a Praça das Mães, sob o viaduto, abriga a feira da ONG Colo de Mãe. O projeto, idealizado por Dailva Basílio, oferece um espaço de acolhimento, geração de renda e fortalecimento feminino para mulheres em situação de vulnerabilidade. A feira conta com área gourmet, artesanato, brechó e atividades culturais, além de uma roda de samba que gera renda para a manutenção das atividades e cursos de capacitação. O reaproveitamento de roupas e o consumo consciente são pilares da iniciativa, que já impactou mais de 20 mil mulheres.
O Hip Hop e a Transformação Social
A ocupação cultural se estende a outras vertentes. Às segundas-feiras, a Batalha Marginow toma conta da Rua Francisco Batista com disputas de rima que abordam o cotidiano e as vivências das periferias, consolidando o viaduto como território do hip hop. Além da agenda cultural vibrante, o Viaduto de Madureira também abriga ações sociais permanentes da CUFA, com aulas de esporte, oficinas de artesanato e capacitação profissional, ampliando seu papel para a formação e inclusão social. Com a expansão física proporcionada pelo novo viaduto do BRT, as possibilidades de uso cultural, social e econômico se multiplicaram, tornando o espaço um ponto estratégico e vivo no coração de Madureira.

