A Revolução Branca De Gaja: O Gênio Italiano Reinventa O Piemonte Com Vinhos De Guarda

A Revolução Branca de Gaja: O Gênio Italiano Reinventa o Piemonte com Vinhos de Guarda

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O Legado de um Ícone

Por décadas, o nome Gaja tem sido sinônimo de excelência em vinhos tintos italianos, especialmente com a uva Nebbiolo e a denominação Barbaresco. Angelo Gaja, aclamado como um gênio pela crítica internacional, revolucionou a viticultura italiana a partir dos anos 1960. Sua ousadia em introduzir barricas francesas, controle de temperatura, seleção de crus e o plantio de variedades francesas em solo piemontês transformou a região em referência mundial. No entanto, a saga da família Gaja ganha agora um novo e surpreendente capítulo: uma aposta estratégica em vinhos brancos.

Alta Langa: Um Novo Terroir para Brancos de Guarda

A 650 metros de altitude, em Alta Langa, uma área fria e biodiversa distante das tradicionais colinas de Nebbiolo, a família Gaja iniciou um projeto ambicioso. Em meio a bosques e com temperaturas significativamente mais baixas, uma nova vinícola, dedicada exclusivamente a vinhos brancos, foi estabelecida. Após três anos de descanso do solo, 90% dos 30 hectares foram plantados com Chardonnay e Sauvignon Blanc. O restante abriga uvas em teste, como Pinot Bianco, Riesling, Incrocio Manzoni, Erbaluce e Timorasso, além de pequenas parcelas de Pinot Noir e Nebbiolo, visando a adaptação a futuras mudanças climáticas.

Visão de Futuro: Brancos com Identidade e Potencial de Guarda

Contrariando a expectativa de espumantes, que dominam a denominação Alta Langa, Giovanni Gaja, filho de Angelo, é enfático: o foco são “brancos de guarda”. Essa abordagem desafia a tradição piemontesa, raramente associada a vinhos brancos com longa capacidade de envelhecimento. A visão de Angelo Gaja para brancos com identidade e profundidade remonta aos anos 1970, com o plantio pioneiro de Chardonnay e Sauvignon Blanc, que deram origem aos icônicos Gaia & Rey e Alteni di Brassica. O novo projeto em Alta Langa eleva essa ambição, buscando criar variedades brancas ainda mais impressionantes.

Estratégia e Comportamento: O Mercado em Transformação

A aposta em brancos não é mera moda, mas uma estratégia de longo prazo. Aos 85 anos, Angelo Gaja, recentemente eleito “Homem do Ano” pela Wine Spectator, demonstra um olhar visionário para a migração global do consumo de vinhos, que se inclina para brancos mais frescos e elegantes. Giovanni reforça essa perspectiva, apontando para o crescente protagonismo feminino no consumo de vinho em mercados como a Ásia, onde as mulheres preferem brancos. A iniciativa de Gaja, portanto, responde não apenas às mudanças climáticas, mas também a um profundo entendimento do comportamento do consumidor e das tendências futuras do mercado.

A Geografia Líquida e o Legado em Construção

A degustação de vinhos brancos ainda em maturação na nova vinícola revelou a força do terroir. Brancos de diferentes altitudes apresentaram características distintas: de maior volume e fruta madura em altitudes menores, a austeridade e mineralidade em elevações superiores. O Chardonnay de Alta Langa destacou-se pela acidez vibrante e frescor cortante. A nova instalação, projetada para 250 mil garrafas anuais, consolida a visão de Gaja para os próximos 20 anos. O Brasil, que já consome entre 2% a 3% da produção de Gaja, é considerado um mercado importante e em expansão, com rótulos como o Gaia & Rey chegando a valores expressivos. O legado da família, iniciado em 1859 com uma trattoria que se tornou famosa pelo vinho, continua a escrever sua história, ensinando o Piemonte e o mundo a levar o vinho branco a sério, provando que o século XXI pode ser lembrado como a era em que Gaja mostrou que o futuro do Piemonte é branco.

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