Investigação interna na Abin
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) abriu um processo administrativo disciplinar contra Glauber Mendonça, um oficial técnico de inteligência com expressiva presença no YouTube. Mendonça, que acumula cerca de 3 milhões de inscritos em seu canal, alega ser policial penal federal e foca seus conteúdos em críticas a políticos e discussões sobre segurança pública. A investigação apura o suposto descumprimento de normas internas da Abin, uma vez que relatos indicam que o agente estaria de licença médica, mas continuaria exercendo atividades profissionais em suas redes sociais, recebendo salário enquanto isso.
Motivação das críticas e afastamento
Em um de seus vídeos, Mendonça declara abertamente que o objetivo de suas postagens é “bater em político, deixar político constrangido”, além de expor a “realidade da política e da segurança pública”. Ele também menciona dedicar até 16 horas diárias à produção de conteúdo e contar com uma equipe. A Abin, por sua vez, informou que os processos disciplinares tramitam em sigilo, conforme a legislação vigente e orientações da Controladoria-Geral da União (CGU), visando proteger a intimidade e os direitos dos envolvidos.
Histórico e posicionamento da Abin
Esta não é a primeira vez que conteúdos de Mendonça chamam a atenção. Há dois anos, a Justiça chegou a determinar a suspensão de vídeos do agente por disseminação de discurso de ódio e abuso ao direito de liberdade de expressão. Procurado pela reportagem, Mendonça não retornou o contato. A Abin, em nota, esclareceu que a lei que estrutura o plano de carreiras e cargos para oficiais técnicos de inteligência não impõe dedicação exclusiva ao cargo. No entanto, a agência não comentou especificamente sobre o procedimento correicional em andamento.

