A Força Latina Que Trump Não Pode Ignorar
A performance de Bad Bunny no Super Bowl, com sua exaltação à identidade latina e mensagem política sutil, ressoou como um hino de resistência em um momento de tensões crescentes com a comunidade hispânica nos Estados Unidos. O artista porto-riquenho, que se tornou o mais ouvido do mundo em 2025, não apenas desafiou as críticas de Donald Trump, mas também se consolidou como porta-voz de uma cultura pop contestadora e do avanço inegável da música latina no cenário global.
A Música Latina Conquista os EUA: Números e Impacto
Os números falam por si: a população latina nos Estados Unidos já representa 20% do total, somando 68 milhões de pessoas. Nesse contexto, o sucesso de Bad Bunny é apenas a ponta do iceberg. A turnê de Shakira, “Las Mujeres Ya no Lloran”, quebrou recordes, arrecadando mais de 421 milhões de dólares. A música latina, em suas diversas vertentes, é o gênero de crescimento mais rápido nos EUA, respondendo por 8,8% do mercado musical, um aumento de 60% desde 2020, e movimentando mais de 1 bilhão de dólares anualmente.
O Papel Transformador do Streaming
A revolução do streaming democratizou o acesso e derrubou barreiras geográficas, catapultando artistas como Peso Pluma, Fuerza Regida e Karol G para o estrelato. Carolina Alzuguir, head de música do Spotify Brasil, destaca que o streaming foi fundamental para a ascensão de nomes como Bad Bunny, que liderou as paradas da plataforma por anos consecutivos. O álbum “Un Verano Sin Ti” marcou um feito histórico, sendo o primeiro em espanhol a ganhar o Grammy de Álbum do Ano.
Resistência Cultural: Uma Herança de Luta
A música latina como ferramenta de protesto e reafirmação cultural não é um fenômeno recente. O movimento Nueva Canción, entre as décadas de 1960 e 1980, com ícones como Mercedes Sosa e Violeta Parra, já utilizava elementos folclóricos para resistir à dominação cultural norte-americana. Pesquisadores como Henry Durante veem artistas contemporâneos como uma releitura moderna desse movimento, utilizando ritmos como reggaeton e trap para denunciar a violência, a invisibilidade e a discriminação sofrida pela população latina.
Da Popularização à Dominação: Uma Trajetória Histórica
A inserção da música latina nos Estados Unidos remonta a meados do século XX, com nomes como Carmen Miranda e Tito Puente. Nas décadas seguintes, Gloria Estefan, Santana e Julio Iglesias pavimentaram o caminho para a explosão latina dos anos 90 e 2000, com Ricky Martin e Shakira. Hoje, a tendência se intensifica, impulsionada pela força dos videoclipes que fortalecem a identidade continental e humanizam a experiência imigrante, desafiando a percepção dos EUA de que a América Latina é apenas um “quintal” a ser controlado.

