Operação complexa no Encontro das Águas
As buscas pelos sete desaparecidos no naufrágio de uma embarcação no Encontro das Águas, no Amazonas, entram no quarto dia com desafios significativos. A força-tarefa montada pelo governo do estado enfrenta condições hidrodinâmicas complexas, incluindo correntes de arrasto, diferenças de densidade entre os rios Negro e Solimões, e a formação de redemoinhos. A embarcação, que partiu de Manaus na última sexta-feira com destino a Nova Olinda do Norte, virou nas proximidades da confluência dos rios. Até o momento, duas mortes foram confirmadas – uma criança de três anos e uma jovem de 22 – enquanto 71 pessoas foram resgatadas com vida.
Tecnologia e efetivo reforçam as buscas
Para otimizar os trabalhos, um contingente expressivo foi mobilizado, contando com 25 bombeiros mergulhadores, seis embarcações do Corpo de Bombeiros, 20 agentes e duas lanchas da Defesa Civil. O apoio aéreo e terrestre inclui drones, helicópteros, além de lanchas da Polícia Militar e Polícia Federal. A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM) informou a implementação de três sonares subaquáticos, cedidos pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo, que enviou também cinco militares para auxiliar na operação. Os equipamentos são destinados à leitura do leito do rio e à detecção de metais, visando localizar a embarcação, que foi encontrada a 50 metros de profundidade.
Investigações e apoio às famílias
O comandante da embarcação foi preso em flagrante após o resgate e liberado após pagamento de fiança, respondendo em liberdade por homicídio culposo. A Marinha do Brasil abriu um inquérito administrativo para apurar as causas e responsabilidades do acidente, coletando dados de sobreviventes e informações relevantes para as buscas. Paralelamente, um posto de atendimento foi estabelecido no Porto Privatizado de Manaus para oferecer suporte psicológico e social aos familiares dos desaparecidos, com a presença de autoridades locais e assistentes sociais. As 71 pessoas resgatadas receberam atendimento e auxílio na identificação de passageiros.
Empresa responsável se manifesta
A empresa Lima de Abreu e Navegações, responsável pela embarcação Lima de Abreu XV, emitiu nota lamentando o ocorrido e afirmando que a embarcação possuía documentação válida e operava em conformidade com as normas. A empresa declarou colaboração total com as autoridades e prioridade em prestar assistência às vítimas e seus familiares. Marcos Antonio Lima de Abreu, um dos sócios da empresa e ex-candidato à prefeitura de Uarini, expressou seu pesar e pediu orações pelas vítimas.

