Aliados temem que a empolgação do presidente com o próprio carisma o leve a subestimar riscos em eventos públicos.
Apesar de cercado por um círculo de auxiliares que o exaltam em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria caminhando para sua última eleição com uma percepção inflada de seu próprio carisma, comparando-o à magnitude do Carnaval na Sapucaí. Essa autoconfiança, segundo fontes, estaria levando o petista a ignorar conselhos de prudência em momentos cruciais, com preocupações crescentes sobre a possibilidade de o evento carnavalesco se tornar um palco para críticas e vaias.
Verba pública e homenagem: A aposta arriscada de Lula no Carnaval.
O governo Lula destinou verbas milionárias para o desfile da Acadêmicos de Niterói, que planeja uma homenagem integral ao presidente. Contudo, a prática comum nesse tipo de evento político é focar nos aspectos positivos, omitindo escândalos e erros de gestões passadas. A decisão de se expor em um evento de grande visibilidade, como a Sapucaí, é vista por alguns assessores como uma arena incontrolável, especialmente considerando que, apesar dos esforços para controlar o público, a presença de outros eleitores e grupos políticos é inevitável.
O teste da Sapucaí: Exposição a vaias e a mobilização bolsonarista.
Lula, acostumado a discursar para plateias selecionadas e com acesso controlado, enfrentará um público mais diversificado no Carnaval. A preocupação é que, mesmo com ingressos distribuídos para apoiadores, a presença de opositores, incluindo um número crescente de bolsonaristas mobilizados para o evento, possa resultar em vaias e protestos. A aposta do presidente seria que o número de apoiadores na arquibancada supere o de críticos, mas a imprevisibilidade desse cenário é o que gera ansiedade entre seus aliados mais realistas.
Preocupação nos bastidores: “Não precisava disso”.
O receio de que o Carnaval possa prejudicar a imagem do governo é palpável entre os assessores mais pragmáticos. “O ano começou bem, com pesquisas mostrando o peso do que foi feito no governo, nas políticas sociais. Não precisava disso”, desabafou um auxiliar palaciano, refletindo a apreensão de que a decisão de se envolver diretamente em uma homenagem carnavalesca possa ser um risco desnecessário para a imagem e o legado do presidente.

