Cerimônia De Encerramento Dos Jogos De Inverno Milão Cortina 2026 Destaca Ouro Inédito De Lucas Braathen E Despedida Emocionante De Bindilatti

Cerimônia de Encerramento dos Jogos de Inverno Milão-Cortina-2026 Destaca Ouro Inédito de Lucas Braathen e Despedida Emocionante de Bindilatti

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Os Jogos de Inverno de Milão-Cortina-2026 chegaram ao fim neste domingo, em uma cerimônia de encerramento grandiosa e cheia de simbolismo na histórica Arena de Verona. O evento celebrou a performance dos atletas e, para o Brasil, teve um sabor especial: o destaque para Lucas Pinheiro Braathen, campeão do esqui slalom gigante e autor da primeira medalha de ouro do país em uma Olimpíada de Inverno. A edição também foi palco da emocionante despedida do bobsledder Edson Bindilatti, que carregou a bandeira brasileira pela terceira vez em sua carreira olímpica.

Uma Celebração na Arena Mais Antiga

A cerimônia, intitulada “Beleza em Ação” e dirigida por Stefania Opipari, teve como palco a milenar Arena de Verona, um anfiteatro construído por volta do ano 30, sendo mais antigo que o Coliseu de Roma. Esta foi a primeira vez desde Atenas-1896 que um monumento da Antiguidade sediou um encerramento dos Jogos Olímpicos, conferindo um caráter único e histórico ao evento. A noite começou com a orquestra The Fondazione, que administra a Arena, e seguiu com a exibição de imagens de personagens icônicos dos Jogos, ao som da ópera “La Traviata”, de Giuseppe Verdi. A apresentação musical também contou com Calibro 35, a cantora Margherita Vicario e o rapper Davide Shorty.

Opipari destacou o desafio e a oportunidade: “A Arena representa um grande desafio e uma oportunidade inesquecível. É um lugar cheio de emoções, histórias e energia, que nos obriga a imaginar algo diferente do passado”. A sustentabilidade foi um tema central, ilustrado pelo bloco “Uma Bela Terra: Ciclo da Água”, que pregou respeito ao meio ambiente. Um grupo de dançarinos representou o ciclo da água no Vêneto, do gelo à água, abrindo espaço para Joan Thiele cantar a famosa música italiana “Il Mondo”, com gôndolas que representaram Veneza. A diretora ressaltou que “80% do palco será feito de madeira. 90% dos equipamentos de iluminação são de LED, e nossos figurinos são confeccionados com materiais reciclados ou tecidos criados para outros usos”.

A chama olímpica chegou à Arena abrigada em uma ampola de vidro veneziano da ilha de Murano, carregada pelos campeões olímpicos de esqui cross-country de Lillehammer-1994, Maurilio De Zolt, Marco Albarello e Silvio Fauner. A Cerimônia da Vitória, um dos atos do encerramento, premiou os medalhistas da largada em massa 50 km do esqui cross-country, que receberam as medalhas diretamente da presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry. No masculino, o pódio foi totalmente norueguês, com Johannes Hosflot Klaebo (ouro), Martin Lowstrom Nyenget (prata) e Emil Iversen (bronze). No feminino, a sueca Ebba Andersson levou o ouro, a norueguesa Heidi Weng a prata e a suíça Nadja Kaelin o bronze.

O Brilho Dourado e Histórico de Lucas Braathen

Entre os atletas celebrados durante a cerimônia, o nome de Lucas Pinheiro Braathen ressoou com um brilho especial para o Brasil. Sua vitória no esqui slalom gigante não apenas lhe rendeu a medalha de ouro, mas marcou um momento histórico para o esporte brasileiro e latino-americano, sendo a primeira medalha de um país da região nos Jogos de Inverno. O feito de Braathen impulsionou o Brasil para a 19ª posição no quadro de medalhas, a melhor campanha da história do país na competição, demonstrando o avanço e o potencial dos esportes de inverno nacionais.

Brasil Faz a Melhor Campanha e Se Despede de um Ícone

Esta edição dos Jogos de Inverno foi a de melhor desempenho do Brasil, que enviou sua maior delegação da história, com 14 atletas. O país teve representação em cinco modalidades: bobsled, skeleton, esqui alpino, esqui cross-country e snowboard. Além do ouro de Braathen, o Brasil celebrou outros resultados expressivos, como o 11º lugar de Nicole Silveira no skeleton feminino e a 14ª posição de Pat Burgner no snowboard halfpipe, ambos os melhores resultados de suas respectivas modalidades para o país.

A cerimônia também marcou a despedida de Edson Bindilatti, piloto de bobsled de 47 anos, que foi o porta-bandeira brasileiro pela terceira vez em uma cerimônia olímpica de inverno, após Pyeongchang 2018 e Pequim 2022. Bindilatti, que se aposenta como atleta olímpico, expressou sua satisfação em contribuir para o bobsled brasileiro por 26 anos e seu desejo de auxiliar na transição para novos talentos, como Gustavo Ferreira. “São 26 anos trabalhando em prol do bobsled e das modalidades de inverno. Então, para mim, foi muito gratificante”, comentou sobre a escolha de ser porta-bandeira novamente. A equipe de bobsled, sob sua liderança, conquistou a 19ª colocação na disputa no Cortina Slide Center, superando o 20º lugar de Pequim-2022 e registrando a melhor performance do Brasil na modalidade.

Marco La Porta, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), celebrou o desempenho histórico: “Começamos bem, aumentando o número de participantes, aumentando o número da delegação. E fechamos literalmente com a chave de ouro, conquistando a primeira medalha olímpica do Brasil em Jogos Olímplicos de Inverno. E logo uma medalha de ouro.”

O Futuro nos Alpes Franceses

No discurso de encerramento, Kirsty Coventry, presidente do COI, definiu os Jogos como “mágicos”. “Vocês foram incríveis, cada um de vocês. Corajosos. Destemidos. Cheios de garra e paixão. Deram tudo de si na neve e no gelo. Foram duas semanas inesquecíveis, vivendo cada momento ao máximo. Vocês se entregaram por completo e compartilharam isso com todos nós”, comentou Coventry, reforçando o espírito olímpico de excelência, respeito e amizade. A bandeira olímpica foi oficialmente passada dos prefeitos de Milão e Cortina d’Ampezzo para Kirsty Coventry, que a repassou às autoridades dos Alpes Franceses, sede dos Jogos de Inverno de 2030. Uma pequena orquestra de 12 músicos, conduzida pelo maestro francês Thomas Roussel, tocou o hino da França, cantado por Marine Chagnon, selando a passagem de bastão para a próxima edição.

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