O Fim de um Modelo Autoritário
O sistema soviético, que sobreviveu em uma versão tropical em Cuba, mostra sua fragilidade. Qualquer alteração, por menor que seja, em sua estrutura autoritária pode levar à sua derrocada. Este é o dilema enfrentado por Miguel Díaz-Canel e seu governo. A pressão por abertura, imposta pelos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump, coloca o líder cubano em uma encruzilhada: ceder às exigências, cujos detalhes ainda são incertos, mas que remetem ao modelo aplicado na Venezuela, ou arriscar um colapso ainda maior, com a população sofrendo com a falta de luz e recursos básicos.
Uma Brecha Inédita?
Em ambos os cenários, o governo cubano parece sair perdendo. No entanto, uma possibilidade surge com a experiência americana na Venezuela, onde a mudança de regime ocorre em câmera lenta. Neste modelo, o discurso e o aparato chavista foram mantidos, mas as ordens americanas são seguidas, especialmente em áreas como petróleo e anistia a presos políticos. A declaração otimista de Trump sobre um “acordo” e sua crítica à falência de Cuba, que “nem sequer tem combustível para os aviões decolarem”, sugerem uma negociação em andamento. Marco Rubio, secretário de Estado americano e figura central nas operações na Venezuela, lidera as conversas pelo lado dos EUA. Rumores apontam Alejandro Castro, filho de Raúl Castro, como interlocutor cubano, uma ironia diante do histórico de ambos os lados.
A Realidade Cubana Sob Pressão
A proximidade geográfica com os EUA e o grande número de cubanos que buscam uma vida melhor no exterior complexificam as negociações. Uma lei americana detalha as condições para contornar o embargo. Assim como no caso venezuelano, o governo Trump busca evitar uma situação terminal que gere um êxodo em massa. Cuba, porém, enfrenta uma crise mais severa, agravada pela perda do fornecimento de petróleo venezuelano, que antes gerava divisas importantes. A dependência de “amigos” e a aceleração da falência, intensificada pela falta de petróleo, expõem a fragilidade do modelo cubano. A retórica de culpar o embargo por todos os males da ilha agora contrasta com a realidade de um boicote que expõe as falhas internas do regime.
O Mito da Revolução em Declínio
O comunismo, que nunca sustentou uma economia próspera, demonstrou habilidade em sua autopreservação. Cuba, sob o comando de Fidel e Raúl Castro por mais de sessenta anos, permitiu ao Partido Comunista dominar o Estado. Doutrinados no “mito da revolução” e temerosos de mudanças, funcionários públicos e militares, que controlam vastas áreas da economia, garantem a lealdade ao regime. O maior risco para Cuba, segundo analistas, é o mergulho no caos, com explosões sociais e um fluxo de refugiados para os EUA. A situação atual se torna insustentável, forçando o regime cubano a fazer aquilo que sempre resistiu: mudar. Mesmo uma abertura controlada terá um impacto desproporcional, dada a projeção política da ilha. Sem um acordo rápido, a população faminta poderá enfrentar a repressão, e Miguel Díaz-Canel corre o risco de perder o poder.

