Donos De Praia Paradisíaca Na Espanha Pedem Bloqueio Após Viralização Em Redes Sociais E Explosão De Turistas

Donos de praia paradisíaca na Espanha pedem bloqueio após viralização em redes sociais e explosão de turistas

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Desgaste ambiental e revolta marcam o futuro de Caló des Moro

A idílica enseada de Caló des Moro, em Maiorca, na Espanha, outrora um refúgio tranquilo, transformou-se no epicentro de um conflito entre proprietários, moradores e o crescente fluxo de turistas. Impulsionados pela viralização de suas belezas em plataformas como Instagram e TikTok, o local, antes pouco conhecido, passou a atrair uma multidão estimada em 4 mil visitantes por dia durante a alta temporada. Essa explosão de popularidade levou os proprietários do terreno, os alemães Maren e Hans-Peter Oehm, a solicitar às autoridades locais a autorização para fechar o acesso público à praia. A justificativa apresentada em janeiro deste ano envolve o visível desgaste ambiental, o acúmulo de lixo e a alegada falta de apoio oficial para a gestão do turismo.

O impacto das redes sociais na preservação de paraísos naturais

O fenômeno de Caló des Moro exemplifica o paradoxo do turismo impulsionado pelas redes sociais. Em 2024, as autoridades de turismo da ilha haviam até incentivado criadores de conteúdo a divulgar áreas menos exploradas, com o objetivo de distribuir o fluxo de visitantes e aliviar a pressão sobre pontos turísticos tradicionais. No entanto, o efeito em Caló des Moro foi o oposto. Fotos e vídeos de suas águas cristalinas, compartilhados massivamente, criaram uma demanda sem precedentes. Os proprietários, que atuam como zeladores informais da área há anos, relatam ter investido tempo e recursos próprios na limpeza, no replantio de vegetação e até no combate a fogueiras. Imagens do último verão revelam cenas de filas para acessar a areia, lixo espalhado e trechos tão lotados que o solo mal era visível.

Moradores se mobilizam contra o turismo de massa

O impacto ambiental é alarmante: estima-se que cerca de seis toneladas de areia desapareçam a cada três meses, com aproximadamente 70 quilos sendo levados diariamente em toalhas e calçados. A trilha de acesso, que inclui uma descida por rochas e 120 degraus íngremes, tornou-se um ponto de descarte de resíduos, com visitantes evitando levar o lixo de volta. A insatisfação da comunidade local culminou em protestos. Em junho, mais de 300 manifestantes ocuparam a enseada, estenderam uma faixa com a mensagem “Vamos ocupar nossas praias” e distribuíram panfletos em inglês e alemão para conscientizar os turistas, levando muitos a deixarem o local. Vídeos registraram moradores bloqueando caminhos e pedindo a retirada dos visitantes.

Turistas compreendem a necessidade de preservação

Mesmo entre os turistas, a compreensão sobre a situação tem crescido. Kristina Vashchenko, uma jovem ucraniana de 20 anos que vive na Alemanha, relatou ter conhecido Caló des Moro por meio de vídeos no TikTok. Ao se deparar com a mobilização de moradores, ela decidiu procurar outra praia. “É uma pena, mas entendo que somos hóspedes na ilha deles”, declarou Vashchenko, ressaltando que Maiorca oferece outras belas opções para visitação.

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