Homenagens a Regimes e Políticos: Um Passado Conturbado
A Marquês de Sapucaí já foi palco de enredos que hoje soam controversos. Em 1975, a Beija-Flor de Nilópolis desfilou uma homenagem à ditadura militar, celebrando os dez anos do golpe de 1964. A letra do samba exaltava programas sociais criados durante o regime e proclamava um “Brasil grande” com “progresso constante”. Essa não foi uma exceção isolada; em 1970, a Estação Primeira da Mangueira apresentou um desfile ufanista com o enredo “Um Cântico à Natureza”, também exaltando o progresso brasileiro. Em 1973, a Unidos de Lucas seguiu a mesma linha, celebrando o nacionalismo em um período de forte censura e vigilância por parte do regime militar.
Palco Político e Marketing Questionável
A politização dos enredos não se limitou a regimes passados. Em 1994, a Independentes de Cordovil utilizou seu desfile como plataforma para Anthony Garotinho, então candidato a governador do Rio de Janeiro. O samba narrou a história do político, que anos depois seria preso por corrupção. Mais recentemente, em 2012, o Unidos do Porto da Pedra, recém-chegado ao Grupo Especial, apresentou um enredo sobre iogurte. O tema, considerado um dos piores exemplos de marketing de escola de samba, resultou no rebaixamento da agremiação e virou sinônimo de vergonha para muitos.
A Evolução dos Enredos na Sapucaí
Ao longo das décadas, os enredos das escolas de samba refletiram as mudanças sociais, políticas e culturais do Brasil. Enquanto alguns temas ousaram homenagear figuras e regimes questionáveis, outros se tornaram exemplos de como um tema mal escolhido pode prejudicar a imagem de uma agremiação. A história da Sapucaí, portanto, é um espelho das diversas facetas do país, com momentos de exaltação, crítica e, por vezes, de puro desconcerto.

