A Nova Ameaça Aérea
Soldados colombianos, acostumados a emboscadas e franco-atiradores, agora enfrentam um inimigo aéreo implacável: enxames de pequenos drones, comprados online e equipados com explosivos. Esses dispositivos, que podem custar a partir de US$ 600, já causaram dezenas de mortes e centenas de feridos entre as forças de segurança do país, que lutam contra grupos armados como o Exército de Libertação Nacional (ELN) há décadas.
Um incidente recente perto da fronteira com a Venezuela ilustra a gravidade da situação. Em 15 dias, soldados abateram 50 drones modificados com granadas. No 16º dia, um drone maior, usado para pulverizar pesticidas, conseguiu lançar quatro granadas sem ser detectado a tempo, matando um soldado. O episódio evidencia uma tendência preocupante: o acesso facilitado a drones comerciais está desestabilizando o conflito e colocando o governo em uma posição defensiva.
Investimento Massivo em Defesa Aérea
Diante do crescente poder aéreo dos grupos insurgentes, o governo colombiano anunciou um investimento sem precedentes de mais de US$ 1,6 bilhão em equipamentos antidrone. A iniciativa, descrita como a mais ambiciosa da história do país, visa proteger locais críticos, incluindo mais de 13 mil locais de votação para as próximas eleições nacionais.
O Ministro da Defesa, Pedro Sanchéz, admitiu que criminosos têm usado drones “indiscriminadamente”, resultando em mais de 100 baixas em 2025. Apesar de a maioria dos ataques ter sido frustrada, o país registrou o equivalente a 333 ataques bem-sucedidos, causando danos significativos às forças de segurança e à população civil. A busca por tecnologia antidrone levou Sanchéz a Washington para se reunir com autoridades de segurança dos EUA, em um contexto de forte pressão internacional para combater o tráfico de drogas.
Desafios na Aquisição e Implementação
A aquisição de drones por grupos armados é surpreendentemente fácil. Autoridades relatam que os dispositivos são comprados em sites de comércio eletrônico como o Temu e contrabandeados através da extensa e porosa fronteira com a Venezuela. O presidente Gustavo Petro lamentou a disparidade, afirmando que os narcotraficantes têm a “vantagem aérea”, comprando milhares de drones “com dinheiro vivo”, enquanto o governo “reage lentamente”.
A situação é agravada pelo acesso a drones de fibra óptica, que utilizam cabos ultrafinos em vez de sinais de rádio, tornando-os imunes à maioria dos equipamentos antidrone. Estudos indicam que versões chinesas desses drones, com mais de 30 quilômetros de cabo, podem ser entregues em grandes cidades colombianas por menos de US$ 600.
Um Futuro Incerto para a Segurança Aérea
Especialistas apontam que a implementação de novos equipamentos antidrone pode não ocorrer a tempo para as eleições, e que esses próprios equipamentos podem se tornar alvos. A necessidade de monitoramento constante e de locais com infraestrutura adequada (iluminação e internet) representa um obstáculo adicional em um país com vasta área rural e de difícil acesso.
A Colômbia, que recebeu bilhões em ajuda militar dos EUA nas últimas três décadas, busca agora alternativas para suprir suas necessidades de defesa aérea, especialmente após romper laços com Israel, um dos principais fornecedores de drones armados do país, em protesto contra a guerra em Gaza. A proliferação desses drones comerciais, como o DJI Mavic 3 Pro, aumenta o medo e o estresse entre os soldados, que agora precisam estar constantemente alertas a ameaças aéreas cada vez mais sofisticadas e acessíveis.

