Impacto global após novas revelações
Mais de duas semanas após a divulgação de uma nova leva de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o escândalo envolvendo o financista Jeffrey Epstein continua a reverberar globalmente, com um impacto político significativo, especialmente na Europa. Os documentos, que somam mais de 3 milhões de registros, incluem correspondências, fotos e anotações detalhando a vasta rede de relacionamentos de Epstein, condenado por exploração sexual de menores e falecido em 2019 sob custódia federal.
Figuras proeminentes atingidas pelo escândalo
A recente divulgação reacendeu questionamentos sobre o grau de proximidade entre Epstein e figuras de alto escalão em diversas áreas. Na Europa, as consequências foram imediatas, com diversas personalidades sendo forçadas a renunciar a cargos, enfrentar a abertura de inquéritos por corrupção ou investigações por má conduta no exercício de funções públicas. Nos Estados Unidos, embora a repercussão exista, as consequências institucionais foram mais limitadas até o momento. Entre os nomes mais afetados estão:
- Peter Attia: O médico e especialista em longevidade deixou cargos em empresas de suplementos alimentares após a divulgação de e-mails com tom informal e vulgar trocados com Epstein. Ele negou participação em atividades criminosas.
- Sultan Ahmed bin Sulayem: O empresário dos Emirados Árabes Unidos renunciou à presidência da DP World, gigante global de logística portuária, após a revelação de trocas de mensagens amistosas com Epstein.
- Sarah Ferguson: A ex-duquesa de York teve sua organização beneficente suspensa. E-mails indicam que ela manteve contato com Epstein mesmo após a condenação dele em 2008.
- Lawrence H. Summers: O ex-secretário do Tesouro dos EUA e ex-presidente de Harvard afastou-se de compromissos públicos e deixou o conselho da OpenAI, após documentos indicarem uma amizade próxima e troca frequente de e-mails com Epstein.
- Thorbjørn Jagland: O ex-primeiro-ministro da Noruega foi formalmente acusado de corrupção agravada em uma investigação policial, após a divulgação de que Epstein tentou intermediar contatos com autoridades russas através dele.
- Mona Juul e Terje Rød-Larsen: A diplomata norueguesa renunciou ao cargo de embaixadora e, juntamente com seu marido, ex-diplomata, é investigada por suspeita de corrupção, após menções no testamento de Epstein.
- Peter Mandelson: O ex-embaixador britânico nos EUA e membro da Câmara dos Lordes renunciou ao Partido Trabalhista e deixou seu assento após buscas policiais em propriedades ligadas a ele, em meio a menções de pagamentos de Epstein.
- Miroslav Lajčák: O ex-presidente da Assembleia Geral da ONU renunciou ao cargo de assessor de segurança nacional na Eslováquia, admitindo comunicação inapropriada com Epstein.
- Jack Lang: O ex-ministro da Cultura da França é alvo de investigação preliminar por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a fraude fiscal, após apontamentos de vínculos próximos com Epstein.
- George J. Mitchell: O ex-senador democrata dos EUA renunciou à presidência honorária de seu instituto, com seu nome aparecendo centenas de vezes nos documentos, embora ele negue conhecimento dos crimes de Epstein.
- Andrew Mountbatten-Windsor: O irmão do rei Charles III, já envolvido anteriormente com Epstein, teve novas fotos e e-mails divulgados, mas sem novas acusações criminais.
- Kathy Ruemmler: A ex-conselheira jurídica da Casa Branca deixará o cargo de diretora jurídica do Goldman Sachs, após a troca de mensagens e recebimento de presentes de Epstein serem revelados.
- Joanna Rubinstein: A presidente da fundação sueca do ACNUR renunciou após a revelação de uma visita à ilha privada de Epstein em 2012.
- Steve Tisch: Coproprietário do New York Giants, tem comunicações sob análise da NFL, admitindo troca de e-mails sobre “mulheres adultas”.
Consequências na Europa e nos EUA
A divulgação dos documentos, que detalham a rede de contatos e atividades de Epstein ao longo de anos, tem provocado um efeito cascata, com autoridades europeias agindo rapidamente para investigar e, em muitos casos, afastar figuras públicas ligadas ao financista. A Europa parece ser o epicentro das consequências mais severas, com o escândalo forçando um escrutínio sem precedentes sobre as relações estabelecidas entre figuras de poder e o condenado explorador sexual.
O legado de Epstein e a busca por justiça
Jeffrey Epstein, que se declarou culpado em 2008 por aliciamento de prostituição, inclusive envolvendo uma menor, foi preso em 2019 sob acusação federal de tráfico sexual. Sua morte em prisão, oficialmente tratada como suicídio, não impediu que dezenas de vítimas relatassem abusos ao longo dos anos. A nova onda de revelações, impulsionada pela divulgação de milhões de registros, continua a expor a extensão de sua influência e a complexidade de sua rede, levantando questões sobre a responsabilidade e a transparência no alto escalão político e empresarial mundial.

