Raízes Profundas no Samba e na Mangueira
Nascida e criada no coração do Morro da Mangueira, Evelyn Bastos tem o samba em seu DNA. Aos 8 anos, embalada pelos versos “Eu sou a essência do samba/A minha raiz é de bamba/Sou Mangueira, o tronco forte que dá fruto a vida inteira”, ela declarou seu sonho à lendária Tânia Bisteka: “Tia, eu vou ser rainha igual a você!”. A paixão pela Estação Primeira de Mangueira é uma herança familiar. Sua mãe, Valéria Bastos, foi rainha entre 1987 e 1989, suas tias eram passistas e sua avó desfilou a vida inteira como baiana e era respeitada como mãe de santo no morro.
Uma Carreira Promissora Desde Cedo
Aos 4 anos, Evelyn já integrava a Mangueira do Amanhã, a escola mirim da agremiação. Aos 10, assumiu como rainha de bateria mirim, e aos 11, deu um salto para a ala de passistas da escola-mãe. Um pedido especial ao Juizado da Infância permitiu que a jovem desfilasse em alas adultas. Aos 15, tornou-se musa, e aos 18, conquistou o título de “Musa do Carnaval” no programa Caldeirão do Huck, da TV Globo, mostrando seu talento e carisma para todo o país.
Superando Desafios e Quebrando Barreiras
Apesar do desejo de reinar, Evelyn sentiu o peso da pouca representatividade feminina na avenida. “O retrato não era para mim. Não havia mulheres como eu”, confessou em entrevista recente. No entanto, a jovem, com 1,74m e jogadora de basquete federada, não se deixou intimidar. Com o sonho de ser professora, cursou Educação Física e, em seguida, História, desenvolvendo um fascínio pela Segunda Guerra Mundial. Sua determinação a levou a acumular funções e a se pós-graduar em Gestão de Projetos, além de gerenciar a presidência da Mangueira do Amanhã e atuar como diretora cultural da Liesa.
Legado e Identidade na Avenida
Em 2026, Evelyn Bastos completará 12 anos à frente da bateria da Mangueira, sob o comando dos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto. Praticante do candomblé e filha de Oxum Opará, Evelyn enxerga a nudez na Avenida como uma forma de expressão artística poderosa. Ela é a personificação do samba que pulsa em suas veias, a menina que sonhou em ser rainha e, como profetizava o samba de 2001, cruzou as fronteiras do tempo, tornando-se um ícone de força, representatividade e paixão pelo carnaval.

