Benefícios Comprovados para a Depressão
Correr, caminhar em ritmo acelerado, nadar e pedalar são exemplos de exercícios aeróbicos, que elevam a frequência cardíaca e promovem movimento contínuo. Uma pesquisa de grande escala, publicada na revista British Journal of Sports Medicine, aponta essas atividades como estratégias altamente eficazes na redução de sintomas de depressão e ansiedade.
A pesquisa, classificada como meta-análise ou estudo guarda-chuva, compilou dados de mais de mil estudos prévios, envolvendo aproximadamente 80 mil participantes de diversas faixas etárias. O objetivo foi determinar não apenas se o exercício físico beneficia a saúde mental, mas qual modalidade oferece os melhores resultados.
Aeróbicos Lideram a Redução de Sintomas Depressivos
Entre todas as modalidades investigadas, os exercícios aeróbicos, que incluem corrida, caminhada, ciclismo, natação e dança, demonstraram os efeitos mais significativos na diminuição dos sintomas depressivos. Os autores da pesquisa explicam que essas atividades proporcionam benefícios tanto biológicos quanto psicológicos.
No âmbito cerebral, os exercícios aeróbicos estimulam a liberação de substâncias associadas ao bem-estar, como as endorfinas. Além disso, favorecem mecanismos de plasticidade cerebral, que é a capacidade do cérebro de se adaptar e se reorganizar ao longo da vida. No cotidiano, a prática regular auxilia na regulação do sono, melhora a disposição e combate a fadiga mental.
O Poder do Exercício em Grupo e Supervisionado
Um achado adicional da pesquisa é que a prática de exercícios aeróbicos em grupo ou sob supervisão tende a gerar resultados ainda mais positivos. Atividades como caminhadas coletivas, aulas de dança, corridas orientadas ou treinos supervisionados se destacaram. “Os formatos em grupo e supervisionados proporcionaram os benefícios mais substanciais, ressaltando a importância dos fatores sociais nas intervenções em saúde mental”, destacaram os pesquisadores.
Ansiedade: Diversidade de Abordagens e Baixa Intensidade
Quando o foco é a ansiedade, os resultados mostraram uma distribuição mais ampla entre diferentes modalidades. Exercícios aeróbicos, treino de força, práticas que integram corpo e mente (como yoga e tai chi) e programas combinados apresentaram associações com a redução dos sintomas, com um efeito classificado como pequeno a moderado.
Para a ansiedade, a pesquisa sugere que menor intensidade pode ser mais benéfica. Intervenções de curta duração, geralmente até oito semanas, e exercícios de baixa intensidade foram associados a uma maior redução de sintomas como inquietação, tensão constante e estado de alerta permanente.
A Escolha Ideal é Aquela Que Você Mantém
Apesar da liderança dos exercícios aeróbicos, o estudo enfatiza que qualquer forma de exercício é superior à inatividade. A chave para o sucesso é a adesão, ou seja, adaptar a atividade às preferências, à realidade e às condições de cada indivíduo. Os autores reforçam que os exercícios aeróbicos devem ser vistos como um complemento e não um substituto para medicamentos e psicoterapia, especialmente em casos moderados a graves de depressão.
No entanto, os dados sugerem que o exercício pode ser considerado uma intervenção de primeira linha, acessível, de baixo custo e com benefícios adicionais significativos para a saúde física. “Considerando a relação custo-benefício, a acessibilidade e os benefícios adicionais para a saúde física proporcionados pelo exercício, esses resultados reforçam o potencial do exercício como intervenção de primeira linha, especialmente em contextos onde os tratamentos tradicionais de saúde mental podem ser menos acessíveis ou aceitáveis”, concluíram os pesquisadores.

