Alfinetada em tom de campanha
Em participação no programa Flow News, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), direcionou uma ‘provocaçãozinha’ ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A declaração ocorreu em meio a especulações sobre uma possível candidatura de Haddad no estado e em um momento de debates sobre taxação de importados.
Haddad questionou a decisão de Tarcísio em cobrar ICMS de plataformas como Shopee e Shein. “Todo mundo fala da taxa, esquecendo que boa parte dela é estadual”, afirmou o ministro, sugerindo que a responsabilidade não recai apenas sobre o governo federal. Ele brincou com o nome de Tarcísio, prevendo uma reação, e explicou que a cobrança visa nivelar a competição com o comércio local, que já paga o imposto.
“Brinquei com o Tarcísio, porque querem colocar na conta do Lula, do Haddad”, declarou, defendendo que a taxação de plataformas estrangeiras é uma medida para proteger o comércio brasileiro da concorrência desleal, onde empresas locais arcam com custos fiscais que as importadoras não tinham.
Defesa de medidas protecionistas e recuo em eletrônicos
A fala de Haddad veio após o governo federal recuar parcialmente da decisão de aumentar a tarifa de importação para eletrônicos. Em uma reunião do Comitê Executivo da Gecex da Camex, os aumentos para produtos como smartphones e notebooks foram revogados, retornando à alíquota de 16%.
O ministro explicou que a política de taxação busca calibrar a importação diante de um cenário global complexo, com a força da produção chinesa pressionando mercados menos protegidos. Ele citou que setores da indústria nacional estavam em risco de fechamento, o que motivou as medidas iniciais.
“Eu sou o cara mais fã desse setor a aí. Tecnologia”, disse Haddad, ressaltando que a intenção não é prejudicar o avanço tecnológico, mas sim garantir um ambiente de negócios mais equilibrado para a produção nacional. Ele mencionou que as normas revisadas entrariam em vigor em março.
Contexto da taxação de importados
Anteriormente, Haddad havia defendido o aumento do Imposto de Importação sobre cerca de 1,2 mil produtos, incluindo eletrônicos e equipamentos para data centers. A justificativa era a proteção da indústria nacional contra o fluxo crescente de bens importados.
A decisão, aprovada pela Câmara de Comércio Exterior, elevou as alíquotas para bens com produção no Brasil, enquanto itens sem fabricação local mantiveram a tarifa zero. Contudo, importadores contestaram a medida, alertando para o risco de aumento de preços, encarecimento de investimentos e problemas no abastecimento de insumos, especialmente em setores de alta tecnologia.

