Ia Em Eleições 2026: Chatbots Podem Influenciar Voto Mais Que Propaganda Tradicional?

IA em Eleições 2026: Chatbots Podem Influenciar Voto Mais que Propaganda Tradicional?

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A inteligência artificial (IA) promete ser um fator significativo nas eleições de 2026 no Brasil, com potenciais impactos que vão além da propaganda tradicional. Chatbots como ChatGPT, Gemini e Claude já demonstram capacidade de influenciar eleitores, apresentando perfis de candidatos, resumindo pesquisas e listando prós e contras de forma a guiar a decisão do usuário.

O Poder Persuasivo das Conversas com IA

Estudos recentes revelam o potencial persuasivo das interações com IAs. Uma pesquisa da Universidade de Oxford analisou que conversas com sistemas programados para defender pontos de vista específicos alteraram as opiniões políticas dos participantes em até 15,9 pontos em uma escala de 0 a 100. Similarmente, um estudo publicado na revista Nature mostrou que em experimentos nos EUA, Canadá e Polônia, as conversas com IAs modificaram as preferências eleitorais em até quatro vezes mais do que a propaganda tradicional em eleições anteriores.

Regulamentação e Desafios para o TSE

Diante desse cenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está finalizando regras para o uso de IA nas eleições. Em 2024, o tribunal já proibiu deepfakes, exigiu a identificação de propaganda com IA e restringiu o uso de robôs que se passassem por candidatos. No entanto, organizações como o NetLab UFRJ defendem medidas mais rigorosas, como a proibição de chatbots indicarem candidaturas e a vedação de anúncios eleitorais dentro das plataformas de IA.

Confiança, Vieses e Desinformação

Uma preocupação crescente no Brasil é o nível de confiança que os eleitores depositam nas IAs, muitas vezes vistas como fontes neutras e autoritárias. Uma pesquisa do Aláfi Lab indicou que 9,7% dos brasileiros consideram sistemas como ChatGPT e Gemini fontes de informação. Contudo, esses sistemas podem cometer erros e reproduzir vieses. Um estudo de Oxford identificou que o ChatGPT atribui menor inteligência a brasileiros do Norte e Nordeste, levantando o risco de distorções em um cenário eleitoral complexo.

Além de vieses, a desinformação gerada por IA, em formatos de vídeo, áudio e imagem, é um temor amplificado. Pesquisadores alertam para a disseminação de deepfakes que questionem a integridade do sistema eleitoral, como simulações de falhas em urnas eletrônicas, e deepnudes, que podem intensificar a violência política de gênero. A Agência Lupa já observou um salto na fatia de conteúdos falsos produzidos com IA, com quase 45% deles apresentando viés político.

O principal desafio para o TSE, segundo especialistas, será a implementação efetiva das regras. A criação de um plano de conformidade obrigatório, onde empresas detalhem como aplicarão as normas eleitorais, é uma das propostas. A capacidade do tribunal de fiscalizar e garantir o cumprimento dessas regras em um ambiente digital em constante evolução será crucial para a integridade das eleições de 2026.

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