Lagarde Reafirma Compromisso com o Mandato no BCE
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, dissipou nesta segunda-feira (23) especulações sobre uma possível saída antecipada de seu cargo. Em sua declaração, Lagarde afirmou que seu plano é concluir integralmente o mandato para o qual foi designada, que se encerra em abril de 2027. A declaração surge após rumores na imprensa sugerirem que ela poderia não cumprir o período completo na liderança da instituição monetária europeia.
Em resposta a questionamentos durante a 42ª Conferência Anual de Política Econômica da NABE, Lagarde declarou: “Finalizar o que foi designado no meu mandato é meu cenário base”. Ela destacou os principais objetivos de sua gestão, como a condução da inflação à meta de 2% e o desenvolvimento do euro digital, expressando confiança no progresso alcançado em ambos os fronts. A presidente também avaliou que a política monetária da zona do euro e o cenário inflacionário se encontram em uma posição favorável.
Independência Bancária em Foco: Críticas a Interferências Políticas
Lagarde aproveitou a ocasião para criticar veementemente qualquer forma de interferência política em bancos centrais. A fala foi interpretada como uma alusão direta às pressões enfrentadas pelo presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, para a redução das taxas de juros nos Estados Unidos. Para a presidente do BCE, tais pressões reforçam a necessidade de estabelecer arcabouços legais sólidos que garantam a independência das instituições monetárias.
“Leis podem ser reescritas, mandatos reinterpretados e normas institucionais esvaziadas. No fim das contas, a independência precisa estar enraizada na cultura e na convicção das pessoas que servem a essas instituições – porque, mais cedo ou mais tarde, os limites legais serão postos à prova”, ressaltou Lagarde, enfatizando que a autonomia não deve depender apenas de barreiras legais, mas também da convicção interna.
Posicionamento sobre o Fed e o Futuro da IA na Europa
Ao comentar sobre a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, Lagarde aconselhou que o foco deve ser estritamente no cumprimento do mandato da instituição, evitando a incorporação de agendas políticas. Ela também elogiou a postura de Jerome Powell ao se posicionar publicamente contra possíveis interferências, demonstrando solidariedade e reforçando a importância da independência dos bancos centrais globalmente.
Em outra frente, Christine Lagarde apontou o potencial da Europa em se beneficiar dos avanços em Inteligência Artificial (IA), mesmo não liderando o desenvolvimento dos modelos mais avançados. Ela argumentou que o maior ganho econômico para o continente pode vir da aplicação estratégica dessas tecnologias em diversos setores da economia, em vez da produção das ferramentas em si. Lagarde citou um relatório de Mario Draghi que sugere que a baixa produtividade europeia está ligada à falta de aproveitamento da revolução digital, indicando que a integração da IA nas estruturas existentes pode impulsionar o crescimento e a inovação.

