UE Convoca Reunião de Emergência e Considera Mecanismos de Resposta
Líderes globais adotaram uma postura de cautela e estudam retaliações após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que aumentará a tarifa global de 10% para 15%. A União Europeia (UE) convocou uma reunião de emergência para analisar o impacto da decisão e o futuro do acordo comercial com os EUA. O porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, destacou a busca por clareza sobre os próximos passos de Washington e defendeu a estabilidade e previsibilidade nas relações comerciais.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, anunciou que coordenará uma resposta conjunta com aliados europeus antes de sua visita a Trump, ressaltando que a política alfandegária é uma questão da UE. O ministro do comércio da França, Nicolas Forissier, declarou que o bloco possui instrumentos para responder, citando um mecanismo “anticoerção” que permite controles de exportação e tarifas sobre serviços de empresas americanas. Além disso, a UE mantém um pacote suspenso de tarifas retaliatórias sobre mais de US$ 95 bilhões em produtos dos EUA que pode ser acionado.
Macron Enfatiza a Necessidade de Contrapesos e Proteção Comercial
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que estudaria as consequências da nova tarifa global, pois a França deseja manter suas exportações para o território americano, incluindo produtos agrícolas, de luxo, moda e aeronáuticos. Macron também comentou sobre a decisão da Suprema Corte dos EUA, que considerou ilegais as tarifas de Trump, dizendo: “Não é ruim ter uma Suprema Corte e, portanto, o Estado de Direito. É bom ter poder e contrapesos ao poder nas democracias”.
Reino Unido e América do Norte Preocupados com Impacto das Novas Tarifas
O governo britânico indicou que espera manter sua posição comercial privilegiada, mas William Bain, chefe da Câmara de Comércio Britânica (BCC), alertou que a decisão “pouco contribuiu para esclarecer as águas turvas”. No Canadá, que foi isento da nova tarifa devido a um acordo com os EUA, o ministro Dominic LeBlanc afirmou que a decisão da Suprema Corte reforça a posição canadense de que as tarifas impostas pelos EUA são injustificadas. Ele também assegurou apoio contínuo às empresas do país que ainda enfrentam taxas sobre aço, alumínio e o setor automotivo.
México, Japão, Coreia do Sul e Taiwan Avaliam Impactos e Mantêm Comunicação
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, recebeu as tarifas com cautela, afirmando que o governo analisará cuidadosamente a resolução. O ministro da Economia, Marcelo Ebrard, pediu “prudência”, lembrando que a maioria das exportações mexicanas para os EUA não está sujeita a tarifas. O Japão indicou que manterá os termos do acordo comercial firmado com os Estados Unidos no ano passado, com a cúpula entre a primeira-ministra Sanae Takaichi e Trump mantida. Na Coreia do Sul, o governo declarou que a decisão da Suprema Corte anulava a taxa “recíproca” de 15% sobre seus produtos, mas que tarifas sobre automóveis e aço permanecem vigentes. Taiwan avalia que a nova tarifa terá um “impacto limitado” em sua economia, mas continuará a monitorar de perto os desdobramentos e manterá comunicação com o governo americano. Na Indonésia, que finalizou um acordo comercial com os EUA nesta semana, o ministério da economia afirmou estar “acompanhando os últimos desenvolvimentos”.

