Da Ausência de Medo à Confrontação Diária
Em uma reflexão sobre a vida e suas reviravoltas, a autora relembra uma série de vídeos curtos que produziu há oito anos, intitulada ‘M de Martha’. Na época, uma infinidade de temas como ‘M de Madrugada’, ‘M de Matinê’ e ‘M de McCartney & Mick Jagger’ eram explorados, mas o ‘M de Medo’ jamais figurou na lista. A ausência desse tema era um reflexo de uma vida sem receios, uma fase que se mostra drasticamente diferente da atual.
O ponto de virada ocorreu em 2024, um ano marcado por perdas emocionais profundas e a iminência de uma enchente devastadora. De repente, um ‘espelho gigante’ surgiu, refletindo um futuro de decadência, fragilidade e solidão. A rotina, a liberdade e a percepção do tempo foram alteradas, e o medo se tornou um companheiro diário.
O Medo como Exercício e Companhia
O medo, que agora cumprimenta a autora ao amanhecer, é tratado de forma ativa. Ele é convidado para se exercitar, levado à terapia, incentivado a ler e até a participar de ‘DRs’. Essa abordagem, embora desafiadora, demonstra uma tentativa de integrar o medo à vida, em vez de fugir dele. A relação descrita é de um confronto constante, onde o medo resiste, mas não abandona.
Um Cardápio de Inseguranças e Reflexões Sociais
O leque de medos que se manifestam é vasto e multifacetado. A insegurança com escolhas futuras, a insuficiência de recursos financeiros apesar de anos de trabalho, o receio de adoecer ou perder o gosto por aventuras são preocupações constantes. Há também o medo de não ser mais útil às filhas adultas, contrastando com a segurança sentida na infância delas.
A inteligência artificial e seu potencial fraudulento também geram apreensão, assim como o cenário político global. O autoritarismo ascendente e a tendência à subserviência de alguns em detrimento de mudanças inclusivas são motivos de grande temor, especialmente o medo de ‘gente covarde’.
A Ilusão das Redes Sociais e o Medo do Real
Uma frase postada no Instagram oferece um certo consolo: ‘desperdiçamos a vida nos preocupando com coisas que nunca aconteceram’. No entanto, ironicamente, até mesmo o Instagram se tornou fonte de medo, devido à promoção constante de ilusões que distorcem a percepção do que é real.
