O Fenômeno Therian: Uma Nova Forma de Autoidentificação
Você já se deparou com pessoas que se comportam como animais em público, andando de quatro patas, brincando e até latindo? Bem-vindo ao universo therian, um fenômeno cultural que tem se expandido para diversos países. Therians são indivíduos que se autoidentificam parcialmente como animais, uma forma de expressão que difere significativamente do universo furry, onde a prática é mais voltada ao cosplay e à fantasia.
Origens e Definição do Therianismo
Com raízes que remontam aos anos 1990 e influências que remetem a antigas crenças sobre seres humano-animais, o termo ‘therian’ deriva das palavras gregas ‘ther’ (besta selvagem) e ‘anthropos’ (ser humano). A identificação therian surgiu a partir de comunidades que inicialmente se identificavam como outros seres mitológicos ou fantásticos, como elfos, dando origem ao termo ‘otherkin’, do qual ‘therian’ evoluiu para descrever aqueles que se percebem como animais, de maneira parcial.
A Experiência Therian
Integrantes da comunidade therian relatam uma profunda conexão e sentimento de serem o animal com o qual se identificam. Muitos descobrem essa identidade ainda na infância, experimentando sensações como a de possuir membros inexistentes, como orelhas ou caudas. Embora a maioria das identificações seja com mamíferos como cães, gatos e raposas, a Wiki Therian aponta que a teriantropia não é uma escolha e que o ‘teriotype’ (o animal com o qual a pessoa se identifica) não pode ser escolhido. Existem também os ‘paleoterios’ (animais extintos), ‘fictórios’ (criaturas fictícias) e ‘teriomíticos’ (animais míticos).
Comunidade e Percepção Social
O crescimento da comunidade therian levou à criação de fóruns online dedicados à discussão e explicação do fenômeno. A internet desempenhou um papel crucial na conexão de indivíduos que, historicamente, se sentiam isolados. Apesar de a prática ter ressurgido com força nos dias atuais, a crença em vínculos entre humanos e animais é antiga. Recentemente, a história de Toco, um japonês que vive como um cachorro Collie, viralizou, chamando atenção para essa forma de vida. Estudos citados pelo New York Post sugerem que, em relação aos furries, não há maior incidência de ansiedade, depressão ou transtornos mentais em comparação com a população geral. Embora pesquisas específicas sobre therians e transtornos mentais sejam escassas, o fenômeno é geralmente encarado como uma variação de comportamento e identidade, desde que não represente distorções da realidade ou cause prejuízos a terceiros.

