Um Encontro de Culturas e Paixões na Neve
A cerimônia de abertura da Olimpíada de Inverno Milano Cortina 2026 não apenas marcou o início dos jogos, mas também apresentou ao mundo um uniforme que carrega consigo uma história de paixão, design e representatividade brasileira. A colaboração entre a renomada marca Moncler e o estilista brasileiro Oskar Metsavaht resultou em peças que fogem do comum, celebrando a identidade nacional em um palco global.
A Visão de Oskar Metsavaht: Da Expedição nos Andes ao Design Olímpico
A conexão de Oskar Metsavaht com a neve e a montanha é profunda e remonta aos anos 1980, quando, ainda médico, desenhou sua primeira peça de roupa técnica durante uma expedição nos Andes. Essa experiência pioneira, em um Brasil onde a roupa de neve era improvisada, lançou as bases para a Osklen, marca que fundaria e que se tornaria referência em unir estilo de vida e funcionalidade. A escolha de Metsavaht para o projeto olímpico, segundo Remo Ruffini, CEO da Moncler, foi natural. “Sua conexão com as montanhas, moldada também pela experiência como snowboarder, trouxe uma dimensão essencial”, afirma Ruffini. A Moncler, conhecida por sua expertise em vestuário de alta performance, encontrou em Metsavaht o parceiro ideal para traduzir a brasilidade em um contexto de inverno.
Design e Estilo: A Dualidade do Uniforme Brasileiro
Metsavaht distingue com clareza os conceitos de design e estilo. Para ele, o design é a camada física que veste o corpo, enquanto o estilo emerge em um campo imagético. Essa filosofia se reflete nos uniformes, confeccionados em náilon laquê reciclado e desenvolvidos em conjunto com a equipe de projetos especiais da Moncler. A paleta de cores contida, com o branco como referência à neve, evoca uma “certa majestade” e respeito pela cultura alpina. O Brasil, por sua vez, se apresenta de forma sutil. Doze dos 14 atletas desfilaram em um tom azul-marinho com detalhes em verde e amarelo, discretamente aplicados no chapéu e nos cadarços das botas. Já os porta-bandeiras, Nicole Silveira e Lucas Pinheiro, vestiram uniformes brancos com capas “doudone” forradas com a Bandeira Nacional, um toque de emoção e orgulho.
Lucas Pinheiro: O Sonho Brasileiro na Neve
Para Lucas Pinheiro, esquiador alpino e peça central na representação brasileira, vestir o uniforme é a concretização de um sonho. Nascido em Oslo, filho de mãe brasileira e pai norueguês, o atleta de 25 anos transita entre duas culturas, mas escolheu o Brasil para representar nos Jogos. “A sensação é inexplicável”, confessa Pinheiro. “Vivo agora algo que foi um sonho por muitos anos. Os jogos duram duas semanas, mas o caminho até aqui é uma jornada de uma vida inteira.” Ele vê no trabalho de Metsavaht uma fusão perfeita entre o minimalismo escandinavo, a natureza, a espiritualidade e a brasilidade, elementos que ressoam profundamente com sua própria visão do esporte. “Eu me vejo muito nesse meio. O esporte, para mim, é muito espiritual. Quero abrir caminhos e provar que pertencemos a esses espaços”, declara, “A neve é uma tela em branco esperando o nosso colorido.” E, para Lucas, esse colorido é verde e amarelo.

