Rússia Condiciona Limitação De Arsenal Nuclear à Reciprocidade Dos Eua Após Fim De Tratado

Rússia condiciona limitação de arsenal nuclear à reciprocidade dos EUA após fim de tratado

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Rússia mantém postura de responsabilidade, mas alerta EUA

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, declarou nesta quarta-feira (11) que Moscou continuará respeitando os limites impostos pelo tratado Novo START, que expirou recentemente, desde que os Estados Unidos sigam a mesma linha. Lavrov enfatizou que a moratória russa sobre seu arsenal nuclear, anunciada pelo presidente Vladimir Putin, permanece em vigor, mas está condicionada à não ultrapassagem dos limites estabelecidos por parte dos EUA. Em declarações à Duma Estatal, a câmara baixa do Parlamento russo, Lavrov expressou o desejo de Moscou em iniciar um “diálogo estratégico” com Washington, reiterando que a Rússia agirá de forma “responsável”, com base em uma análise da política militar americana.

EUA rejeitam prorrogação voluntária e buscam incluir China

Em contrapartida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou uma proposta de Vladimir Putin para estender voluntariamente os limites do Novo START por mais um ano. Trump declarou preferir um acordo “melhor” e “modernizado”, que também contemple a participação da China. No entanto, o país asiático, sob a liderança de Xi Jinping, tem manifestado sua relutância em participar de tais negociações.

Fim do Novo START e o cenário de controle nuclear

O Novo START, assinado em 2010, representava o último acordo vigente para conter a escalada nuclear herdada da Guerra Fria. O tratado, que expirou em 5 de fevereiro, limitava os arsenais nucleares estratégicos de EUA e Rússia a 1.550 ogivas e 700 lançadores de mísseis balísticos intercontinentais. Além dos limites numéricos, o acordo previa inspeções presenciais, troca de dados e mecanismos de verificação para garantir previsibilidade e reduzir o risco de erros de cálculo entre as duas maiores potências nucleares do mundo, responsáveis por mais de 80% das ogivas globais.

Histórico de negociações e a expansão de arsenais

O tratado foi prorrogado em 2021, no início do governo Joe Biden, mas suas próprias regras impediam novas extensões. Apesar disso, havia espaço político para um acordo sucessor ou uma extensão informal. Em setembro do ano passado, Putin já havia sinalizado a disposição russa em manter os tetos do tratado por mais um ano, sob reciprocidade americana, uma proposta que Trump chegou a considerar uma “boa ideia”, mas que não avançou nas negociações. Atualmente, estima-se que a Rússia possua cerca de 5.459 ogivas nucleares e os Estados Unidos, 5.177. A China, embora com um arsenal menor, vem expandindo e modernizando suas capacidades nucleares em ritmo acelerado.

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