Iwakuru koendâ arâ aron: Uma Mensagem de União nas Ruas de Ipanema
Com a impactante frase “Iwakuru koendâ arâ aron” — que, na língua bakairi, significa “Simpatia é quase amor” — estampada nas camisas, o bloco Simpatia É Quase Amor transformou as ruas de Ipanema em um vibrante palco de celebração. O desfile, um dos mais tradicionais do carnaval de rua do Rio de Janeiro, homenageou os povos originários e reforçou a defesa da diversidade e da democracia, atraindo uma multidão para a Praça General Osório neste sábado, a partir das 14h. O cortejo seguiu pela orla em direção ao Posto 9, arrastando milhares de foliões em uma festa que nem a chuva intensa conseguiu dispersar.
Milton Cunha Brilha com Adereços Indígenas e Banda Incorpora Temática
No alto do trio elétrico, o comentarista e carnavalesco Milton Cunha foi um dos destaques, ostentando uma coroa de penas que remetia a um cocar indígena, em perfeita sintonia com o tema do desfile. Os músicos da banda também incorporaram elementos visuais inspirados em trajes indígenas, fortalecendo a homenagem e o diálogo com a ancestralidade brasileira. A atmosfera festiva e engajada contagiou a todos, mesmo sob as gotas d’água.
Diversidade e Resistência: Um Bloco que Fala de Política e Liberdade
A Praça General Osório e seus arredores foram tomados por um público heterogêneo, composto por foliões de todas as idades. Desde aqueles que acompanham o Simpatia desde suas primeiras edições, nos anos 1980, até jovens estreantes, o bloco demonstrou sua força como ponto de encontro. Turistas estrangeiros e visitantes de outros estados se juntaram aos cariocas, atraídos pela fama do Simpatia como um dos blocos mais engajados do carnaval. A chuva, que chegou com intensidade, não arrefeceu o ânimo: sob capas improvisadas e fantasias molhadas, a alegria e a música continuaram, provando a resiliência e o espírito de celebração dos participantes.
Legado de Luta e Família: A Essência do Simpatia É Quase Amor
Vera Batista, co-fundadora do bloco, explicou que o tema deste ano se conecta com a ideia de uma “aldeia global” e resgata pautas históricas do Simpatia. “A gente fala da aldeia global, da diversidade, e, como sempre, de política, de liberdade, de afirmação e de decisão”, declarou. Ela ressaltou a importância do carnaval como festa popular que celebra a vida e como plataforma para defender a democracia em tempos atuais. “O carnaval é uma festa popular, uma festa que nasceu das comunidades celebrando a vida. E, nesse momento, o mundo inteiro deveria se juntar para defender a democracia. Por isso é importante que o carnaval toque em temas de interesse do Brasil e do mundo.” Vera relembrou que o Simpatia, assim como outros blocos da época, nasceu com o propósito de lutar contra a ditadura militar, uma batalha vencida. Luciana Nóbrega, de 87 anos e fundadora do bloco, desfilou com sua bengala, mesmo sob a chuva, demonstrando seu profundo laço com o carnaval: “Eu estou aqui todo carnaval. Já fui da diretoria, passei por diversos cargos. Isso aqui, para mim, é uma família”, emocionou-se.

